Mercados: perspectivas para a próxima semana

A próxima semana não deve ser muito diferente da que passou: poucos negócios e leves variações nas cotações, dentro dos patamares atuais. O fato é que os mercados não funcionarão na segunda e na terça-feira e é pequena a probabilidade de que surjam notícias que estimulem mudanças nas posições dos investidores nesses primeiros dias de 2002. O começo do ano tende a ser mais tranqüilo por causa das férias, mas, além disso, impera um ambiente de estabilidade e otimismo moderado que só deve ser interrompido por três fatores: sucessão presidencial, pressões inflacionárias diferentes do esperado e surpresas no cenário internacional, como um agravamento significativamente maior da crise argentina ou da recessão mundial. A meta de inflação para 2002 é apertada, e, embora o mercado aposte numa queda nos juros já em fevereiro, ela não deve ser grande. A tendência dos preços é declinante, mas só deve haver uma folga maior em 2003. A taxa de crescimento da economia também tende a elevar-se, mas segue modesta, abaixo de 3% para 2002. Assim, espera-se melhora, mas lenta e gradual. Quanto ao câmbio, o mercado e o governo contam com uma recuperação da atividade econômica norte-americana na metade do ano, o que ajuda a embalar a melhora do cenário nacional. Mas a Argentina, que os investidores têm ignorado ultimamente, pode voltar a contaminar os mercados se a crise seguir se agravando. Instabilidade pode voltar na metade do ano A maior preocupação é com a sucessão presidencial. O bom desempenho de Roseana Sarney nas pesquisas de opinião afastou o temor dos investidores de que seja inevitável a vitória de uma candidatura de oposição radical ao atual regime econômico. Ainda assim, as idas e vindas das campanhas podem trazer nervosismo aos mercados, e muitas oscilações. O quadro se agrava com a forte concentração dos vencimentos de títulos cambiais no primeiro semestre. O nervosismo com o dólar em meados de 2001 fez com que o governo emitisse grande volume de cambiais, e o mercado não aceitou prazos além do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A necessidade de rolagem desses papéis pode potencializar, nos mercados, o nervosismo dos investidores. O resultado pode ser elevação desproporcional de dólar e juros, e queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em um ambiente de muitas oscilações. Argentina ainda preocupa É verdade que instituições financeiras estrangeiras elegeram o Brasil alvo principal entre os emergentes no ano que entra, e que o investimento direto estrangeiro superou as expectativas. Porém, o novo governo argentino é interino, fraco e já se instala uma crise interna no Partido Justicialista pela sua sucessão, em 3 de março, para um mandato que acaba no final de 2003. Parece muito barulho por pouco, dado a atual situação do país, e ainda não é claro se as medidas do atual governo ajudam a Argentina a sair da crise ou a afundam ainda mais em dificuldades. O país decretou a moratória, mas, ao invés de dolarizar ou pesificar a economia e desvalorizar o câmbio, como se esperava, criou uma terceira moeda, o argentino. Ela flutuará em relação ao dólar e ao peso, e gradualmente dominará a economia. O maior temor é que, para dar conta dos aumentos de salários concedidos pelo novo governo, sejam emitidos argentinos em quantidades absurdas. Desse modo, a economia não ganha competitividade, pois o exportador saca o valor recebido em dólares convertendo-o para pesos, e, daí, para argentinos, na relação US$ 1 equivalente a ARG$ 1. E a emissão monetária sem lastro pode gerar uma hiperinflação. Ou seja, ainda é cedo para falar em luz no fim do túnel. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

28 Dezembro 2001 | 21h14

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