Mercados: perspectivas para a próxima semana

Ainda há muito o que fazer na Argentina e a atenção dos investidores na próxima semana deve estar voltada para o país vizinho. O regime de paridade cambial foi alterado, os saques bancários foram flexibilizados e o mercado de câmbio argentino voltou a operar depois de 20 dias de paralisação. Mas pouco se sabe sobre como o governo argentino vai resolver o seu problema do déficit fiscal - a arrecadação do país não é compatível com o nível de gastos.Além disso, há problemas sociais profundos na Argentina. As taxas de desemprego estão muito altas e o processo de retomada do crescimento econômico no país deve ser lento, o que dificulta ainda mais as condições sociais do país. O fim da paridade cambial também mexe com os índices de inflação e um dos temores dos analistas é que a alta nos preços prejudique ainda mais a atividade econômica.De acordo com o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, é muito provável que ocorra a flutuação ampla do peso antes dos quatro a cinco meses estabelecidos como resultado mais provável pelo ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov. Neste cenário, segundo Abate, crescem ainda mais as chances de pressão inflacionária, o que poderia exigir do governo uma política monetária mais austera, apesar do quadro recessivo no país. Os mercados no Brasil vêm mantendo um grau de descolamento da situação argentina. Mas, nos últimos dias, o dólar voltou a subir. Desde o dia 3 de janeiro, a alta acumulada do dólar oficial é de 5,39%. Na próxima semana, os analistas acreditam que as cotações podem oscilar, mas é muito reduzida a possibilidade de que as cotações voltem a ficar muito pressionadas. As incertezas em relação à Argentina, que já existiam no ano passado; e a forte mudança na perspectiva macroeconômica para os Estados Unidos depois dos atentados terroristas levaram as empresas a aumentar as suas reservas em dólar. Ou seja, com um hedge já feito, não há porque as empresas aumentarem a demanda por moeda norte-americana nos próximos dias. Inflação pode inibir corte de juros em janeiroO Comitê de Política Econômica (Copom) reúne-se nos dias 22 e 23 de janeiro para reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia. Muitos analistas já acreditavam em corte de juros nesta reunião. Porém com os números de inflação divulgados nesta semana - primeira prévia do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGPM) e Índice dos Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de dezembro -, esta possibilidade ficou menor.O gerente de renda fixa do ABN Amro Asset Management, Eduardo Castro, que já não esperava por uma redução da Selic em janeiro, acredita que a pressão de alta sobre estes índices deve contribuir para a demora na redução da Selic. "É mais provável que a Selic seja reduzida em fevereiro, mas tudo vai depender do comportamento dos próximos índices anunciados. Dentro de um cenário mais tranqüilo, a redução de juros esperada em fevereiro é de 0,5 ponto porcentual" afirma. O economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi, é mais otimista. Apesar da alta dos índices de inflação, ele espera uma redução de 0,25 ponto porcentual na reunião do Comitê em janeiro, o que faria a Selic recuar para 18,75% ao ano. Até o final do primeiro semestre, ele acredita que a Selic deva recuar para 18% ao ano e, até o final do ano, para até 17% ao ano. Melhora da Bolsa pode ser adiada sem queda de jurosA demora na queda para as taxas de juros deve segurar a alta sustentada que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vinha mantendo desde a última quinzena de dezembro de 2001. No início desta semana, a Bovespa, após atingir 14.378 pontos na segunda-feira, vem registrando quedas diárias e hoje encerrou o dia em 13.587 pontos.Para o diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, isso não significa que as boas perspectivas para a Bolsa neste ano tenham sido modificadas. Mas a alta da inflação, que tem influência sobre as taxas de juros, foi uma surpresa ruim para os investidores do mercado de ações. "Isso pode provocar uma demora para a retomada de alta na Bovespa", diz.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo o fechamento dos mercados hoje e as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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