Mercados: perspectivas para a próxima semana

A próxima semana pode trazer algumas reações negativas no mercado financeiro no Brasil em função das últimas notícias vindas da Argentina nesta sexta-feira. Segundo apurou a correspondente Marina Guimarães, a Corte Suprema de Justiça argentina (similar ao Supremo Tribunal Federal) declarou nesta sexta-feira a inconstitucionalidade do decreto que impôs o "corralito" financeiro. Trata-se das medidas que restringem os saques bancário e foram criadas pelo ex-ministro da Economia Domingo Cavallo, em dezembro do ano passado. Fontes ligadas ao governo declararam à correspondente que a decisão da Corte argentina será válida apenas para correntistas que entraram com ações na Justiça contra a "corralito". Prevê-se uma avalanche de ações judiciais agora.Ainda não há uma confirmação oficial sobre o assunto, mas, se o "corralito" fosse abandonado a partir de segunda-feira para toda a população argentina, as chances de quebra das instituições financeiras seriam muito grandes, além do risco de uma hiperinflação. Diante desta possibilidade, o Banco Central argentino decretou feriado bancário no país na segunda e terça-feira, o que pode provocar instabilidade no mercado financeiro brasileiro no início da próxima semana.Um pronunciamento a ser feito ainda hoje, às 21h (22h em Brasília), pelo presidente Eduardo Duhalde, em cadeia nacional, foi cancelado. Ao invés disso, Duhalde concederá uma entrevista coletiva neste mesmo horário. Em relação ao anúncio de medidas econômicas marcado para amanhã, que seria feito pelo ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, ainda não há nenhuma informação. A Argentina ainda tem muito a decidir e os analistas não vêem nenhuma medida indolor para que o país atravesse a atual crise. Um dos pontos que atrai a atenção dos investidores é a negociação junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que seja liberada uma nova ajuda financeira. Para tanto, será necessária a aprovação de um orçamento para 2002, dentro de regras rígidas para corte de gastos. Isso inclui corte nas verbas repassadas às províncias.Este rigoroso ajuste das despesas do país vem gerando graves conflitos políticos desde a presidência de Fernando De la Rúa. O atual presidente, que possui uma base política muito fraca, deverá enfrentar dificuldades neste sentido, além da oposição dos argentinos, que querem o fim do "corralito" e a retomada da atividade econômica.Inflação atrai atenções no BrasilA inflação no Brasil também será motivo de atenção para os investidores na próxima semana. Na terça-feira, será divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), referente ao mês de janeiro. Na quinta-feira, a Fundação Getúlio Vargas divulga o Índice Geral dos Preços-DI (IGP-DI), também referente ao mês de janeiro.O índice mais importante sai na sexta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este índice é usado como base para a meta de inflação que, neste ano, é de 3,5%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais.Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a ata de sua última reunião, reafirmando a atenção da equipe econômica com a inflação. A proximidade das eleições, dentro de um contexto com a crise argentina, preocupa, pois as cotações da moeda norte-americana podem voltar a ficar pressionadas, o que provocaria nova alta nos preços.Estados UnidosO ritmo da atividade econômica norte-americana continuará em pauta para o mercado financeiro até que se confirme uma melhora nos números econômicos do país. Os mais otimistas aguardam este cenário já para o segundo trimestre deste ano. Os mais conservadores acreditam que isso só deverá ocorrer no segundo semestre de 2002. Para o Brasil, uma recuperação da economia dos Estados Unidos é extremamente necessária, seja pelas operações comerciais, que favorecem um saldo positivo para a balança comercial, seja pelo mercado financeiro. Em ambos os casos, o resultado positivo é uma entrada maior de dólares para o Brasil, o que favorece uma queda nas cotações do dólar.Em fevereiro, especialmente, este fluxo de recursos positivo para o Brasil seria muito importante, já que há um grande volume de vencimento de dívidas de empresas brasileiras no exterior - em torno de US$ 1 bilhão -, o que pode deixar as cotações do dólar um pouco mais pressionadas neste período.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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