Mercados: perspectivas para a próxima semana

Na próxima semana, os investidores estarão atentos ao cenário externo, enquanto aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) a respeito da reavaliação da Selic, a taxa básica de juros da economia. O Comitê reúne-se na terça e quarta-feira e, segundo a expectativa da maioria dos analistas, deverá manter a taxa nos atuais 19% ao ano.Para o economista do ABN Amro Asset Management, Aquiles Mosca, ainda não há espaço para corte de juros nesta reunião. "O núcleo dos índices de inflação, que exclui os produtos influenciados por fatores sazonais, ainda está elevado. A expectativa é que o Comitê seja mais conservador e aguarde por dados mais claros de recuo da inflação", afirma.O sócio-gerente da BankBoston Asset Management, Márcio Verri, também acredita que a Selic deve permanecer estável nesta reunião, mas avalia que há motivos concretos para quem aposta em uma redução dos juros agora. "O elevado fluxo de dólares para o mercado no início do ano e a rolagem de papéis cambiais com vencimento próximo por títulos com duração mais longa contribuíram para a diminuir a pressão de alta sobre o dólar. O impacto positivo para a inflação já pode ser notado", explica.Verri também destaca que uma queda das taxas de juros agora, que acabaria estimulando a atividade econômica, não representaria um risco para uma nova pressão sobre os índices de inflação. Isso porque o País apresenta capacidade produtiva ociosa. Ou seja, pode produzir mais sem que isso pressione para cima a inflação.Mosca acredita que as taxas de juros devem subir apenas em abril. "Mesmo assim, as decisões serão baseadas em muita cautela". Verri é mais otimista e avalia que um corte de juros deve vir já na reunião do Comitê em março. "Se a política monetária é baseada no cumprimento da meta de inflação, e isso já deve ser confirmado neste mês, não há motivo para adiar a queda das taxas de juros", declara.Copom não influencia mercadosA reunião do Comitê vai atrair a atenção dos investidores, mas o fato é que os mercados não devem apresentar reação significativa depois do anúncio da decisão. Para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), uma redução da Selic não deve influenciar os negócios, pois a taxa de juro real - taxa nominal menos inflação - ainda continua muito elevada. O investidor prefere permanecer com os seus ativos em aplicações atreladas a taxas de juros, em que o ganho é elevado e não há risco de perdas. Para que a Bolsa fosse influenciada positivamente, o corte de juros deveria ser bem maior do que 0,5 ponto porcentual, o que muito dificilmente deve ocorrer. Além disso, os investidores continuam reclamando da incidência da Cobrança Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no mercado de ações, além da elevação da alíquota de Imposto de Renda (IR) - de 10% para 20% sobre o ganho. Cenário externo ainda tem muitas incertezasOs acontecimentos na Argentina também continuam no foco de atenções dos investidores. O país atravessou a primeira semana de liberação do câmbio com a cotação do dólar em torno de 2 pesos. Mas ainda não se pode dizer que o novo regime está totalmente testado, já que permanecem as restrições aos saques bancários e as empresas com dívidas em dólares ainda precisam da autorização do Banco Central para efetuar seus pagamentos. A liberação de novos recursos por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda é apenas um desejo dos argentinos. O País precisa mostrar como vai cortar gastos, reduzir o déficit fiscal e, principalmente, como vai renegociar suas dívidas com os credores. Sem isso, segundo analistas, dificilmente o Fundo apoiará financeiramente a Argentina.E o ritmo da atividade econômica norte-americana permanece como um dos principais pontos de atenção dos investidores. O país é forte consumidor dos produtos exportados pelo Brasil. Isso significa que sua recuperação contribui para o crescimento do saldo da balança comercial - umas das portas de entrada de dólares para o Brasil, diminuindo a necessidade de financiamento do País.Além disso, a influência norte-americana também se dá por meio do mercado de capitais. Economia reaquecida estimula novos investimentos e isso pode significar entrada de dólares para o mercado financeiro interno. Alguns números importantes sobre a economia dos Estados Unidos serão divulgados na próxima semana: na quarta-feira, a inflação ao consumidor (CPI) referente ao mês de janeiro; na quinta-feira, dados semanais sobre o mercado de trabalho. Vale destacar ainda que, na segunda-feira, é feriado norte-americano - aniversário de George Washington, celebrado como Dia do Presidente. Investimentos Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado e o balanço semanal da Anbid sobre a indústria de fundos.

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