coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: perspectivas para a próxima semana

O quadro político permanecerá no foco de atenção dos investidores na próxima semana. Outros eventos importantes também devem ser observados pelos investidores, como a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a divulgação de novos índices de inflação, mas as conseqüências da crise entre o PSDB e o PFL na corrida eleitoral têm relevância maior neste momento."O quadro político é o principal determinante para o preço dos ativos e qualquer outro fator tem importância menor dentro do contexto do mercado financeiro", afirma o estrategista-chefe do JP Morgan, Luiz Fernando Lopes. Segundo ele, a expectativa maior fica por conta de dois fatores: os resultados das próximas pesquisas de intenções de voto e o posicionamento do PFL e dos partidos de oposição em relação ao crescimento da candidatura do presidenciável pelo PSDB José Serra.A reação dos eleitores à crise entre o PFL e o PSDB continuará sendo percebida nas pesquisas eleitorais. De acordo com apuração da repórter Nélia Marquez, cinco institutos de pesquisa cadastraram esta semana pesquisas para a sucessão presidencial. São eles: Vox Populi, Ibope, Sensus, Brasmarket e Serpes.Já entre os partidos, as reações continuam incertas. Nesta semana, foi cogitada a possibilidade de que a pré-candidata do PFL, Roseana Sarney, desistiria da candidatura. Coligações entre partidos de oposição continuam sendo estudadas e, neste domingo, o PT realiza a sua prévia eleitoral em todo o País para a escolha de seu candidato à Presidência da República. Segundo a repórter Elizabeth Lopes, em 22 anos de história, esta é a primeira vez que o PT tem dois pré-candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Eduardo Suplicy.Uma das conseqüências da crise entre o PSDB e o PFL é o adiamento da votação para a permanência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até dezembro de 2004. O adiamento gera um custo semanal de R$ 400 milhões para o governo, o que poderá ser compensado de outra forma. O vice-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), confirmou, nesta sexta-feira, que a Receita Federal estuda aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para compensar parte da perda na arrecadação da CPMF. Veja a matéria completa das repórteres Liliana Lavoratti e Cida Fontes no link abaixo.Mas, para os investidores, o que pesa de fato em relação ao cenário político é o risco de ruptura do atual modelo econômico. A questão da CPMF continuará sendo observada na próxima semana, principalmente porque a emenda poderá ser votada em segundo turno na terça-feira. Porém, a melhora do candidato do governo, José Serra, já seria por si só motivo de otimismo para os mercados. "Isso já ficou evidente depois da divulgação das primeiras pesquisas de intenção de voto, que mostram o crescimento de Serra", afirma o diretor do WestLB Banco Europeu, André Reis.Copom e índices de inflaçãoNa próxima terça e quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia. Na reunião passada, a taxa foi reduzida de 19% ao ano para 18,75% ao ano e a expectativa da maioria dos analistas para a próxima reunião é de mais um corte. Há divergências em relação à magnitude da redução. As apostas dividem-se entre 0,25 ponto porcentual e 0,50 ponto porcentual.Júlio Ziegelmann, da BankBoston Asset Management, acha que os dois números são possíveis. Lopes, do JP Morgan, aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual, assim como Reis do WestLB Banco Europeu. Em entrevista ao repórter Francisco Carlos de Assis, o economista-chefe do Banco Inter American Express, Marcelo Allain, afirmou que acredita em um corte de 0,5 ponto porcentual.Todos eles avaliam que a tendência para a inflação neste ano é ficar dentro da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), de 3,5% ao ano, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. O presidente do BC, Armínio Fraga, já declarou que um número entre 4,5% e 4,0% seria suficiente para garantir a redução dos juros, o que reforça a expectativa dos analistas sobre um corte da Selic na próxima semana. Na quarta-feira será divulgado mais um índice de inflação. Trata-se do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), referente à segunda quadrissemana do mês de março.Mercados internacionaisNos Estados Unidos, o Banco Central do país (Fed) reúne-se na terça-feira para reavaliar a taxa de juros. Atualmente, a taxa norte-americana está em 1,75% ao ano e muitos analistas acreditam que o Fed deve decidir pela manutenção dos juros neste patamar. As bolsas norte-americanas continuam com números positivos. Porém, analistas afirmam que o preço das ações está elevado e não descartam um movimento de queda. O reaquecimento da atividade econômica não evita essa possibilidade, mas pode dificultá-la, dado que os investidores ficariam mais confiantes nos lucros das empresas no médio e longo prazo.Na Argentina, continuam as negociações entre o governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a liberação de novos recursos. Segundo a correspondente Marina Guimarães, o vice-ministro de Economia, Jorge Todesca, afirmou que o acordo com o Fundo estará fechado no final de abril, data estimada para que o governo execute as medidas solicitadas pela missão técnica. Dentre elas, destacam-se medidas de caráter fiscal e ajustes nos números do orçamento. Por parte do FMI, não há nenhum anúncio oficial.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

15 de março de 2002 | 21h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.