Mercados: perspectivas para a próxima semana

O cenário político deve continuar no foco de atenção dos investidores na próxima semana. São esperados os resultados de duas pesquisas de opinião de voto realizadas pelos institutos Vox Populi e Datafolha. Assim como nas últimas divulgações de pesquisas, o resultado dos levantamentos da próxima semana devem mexer com os negócios nos mercados as oscilações podem ser acentuadas.Nos últimos dias, alguns bancos estrangeiros mudaram as recomendações para papéis da dívida brasileira motivados pelo crescimento do pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, nas pesquisas de intenção de voto. Outras instituições não alteraram suas recomendações, pois consideram que o processo eleitoral ainda está em fase inicial e que qualquer recomendação nesse sentido seria prematura (veja mais informações no link abaixo). Para se ter uma idéia, as convenções partidárias ainda não foram realizadas. Elas terão início no dia 10 de junho e vão até o final do mês. Já o horário eleitoral no rádio e na TV começa em 20 de agosto. Para a próxima semana, espera-se que o PMDB oficialize o nome do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para compor como vice a chapa do candidato do PSDB, José Serra (SP), segundo informou o jornalista Ariosto Teixeira.Atraso na votação da CPMF preocupaMas há um fato vinculado ao cenário político que tem gerado muita preocupação entre os investidores. Trata-se do atraso da votação da emenda que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A emenda já passou pela Câmara dos Deputados e está agora no Senado Federal.De acordo com apuração do jornalista Nelson Breve, o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Bernardo Cabral (PFL-AM), devem definir na próxima segunda-feira o relator da proposta da emenda constitucional (PEC). Agripino reafirmou que o PFL não pretende obstruir a tramitação da CPMF no Senado, mas não abre mão dos prazos regimentais e pretende fazer modificações no texto da PEC aprovado na Câmara.O atraso na votação da emenda preocupa, pois criará dificuldades para o governo, já que haverá perda na arrecadação. Estima-se que a Receita Federal deixará de arrecadar semanalmente R$ 420 milhões. Pela atual legislação, a CPMF será cobrada até o dia 17 de junho. A partir da aprovação da emenda, a CPMF voltará a ser cobrada após 90 dias. Com o objetivo de tentar diminuir o prejuízo, o Congresso já discute a redução desse prazo para 15 dias. De qualquer forma, enquanto a solução para o problema ainda não aparece, os investidores podem reagir de forma negativa. Números de inflação na próxima semanaNa próxima semana serão divulgados números importantes sobre o comportamento da inflação. Na segunda-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril. Na quarta-feira sai a primeira prévia do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) de maio e, na quinta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informa a variação do Índice Geral dos Preços (IGP-DI) de abril. O índice mais esperado sai na sexta-feira. Trata-se do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse índice é usado como referência para a meta de inflação, que neste ano é de 3,5%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. A inflação preocupa pois a definição da política monetária tem por objetivo o cumprimento da meta de inflação.Fed define juros nos EUA e Argentina aguarda FMIO principal destaque da próxima semana nos EUA é a reunião do Banco Central norte-americano (Fed) na terça-feira. Segundo informações da Dow Jones, é unânime entre os analistas a previsão de que o Fed não vai elevar as taxas neste mês. Na ultima reunião do BC norte-americano, em janeiro, os juros foram mantidos em 1,75% ao ano. Os analistas acreditam ainda que o Fed não elevará as taxas na reunião seguinte, em 25 e 26 de julho. Na Argentina, o novo ministro da Economia Roberto Lavagna aguarda a chegada de uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) a partir da próxima segunda-feira. Porém, os analistas continuam céticos em relação a uma possível ajuda financeira internacional. Isso porque a Argentina vem adiando há muito tempo a implementação de medidas para o corte de gastos, principalmente nas províncias e, sem essas medidas, será muito difícil ao País vizinho conseguir o aporte de recursos de que necessita.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 21h15

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