coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: perspectivas para a próxima semana

Cenário político, reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) e dados norte-americanos - números da economia e desempenho das bolsas. Estes são os principais focos de atenção dos investidores na próxima semana, em ordem de importância. Nos mercados, o clima é de cautela, principalmente no ambiente interno.Nesta sexta-feira, a revista IstoÉ trouxe denúncias contra o deputado Henrique Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, um dos políticos mais cotados para entrar como vice na chapa de José Serra, pré-candidato à Presidência pelo PSDB. Segundo a revista (que traz como manchete "O Vice de US$ 15 milhões"), a ex-mulher de Henrique Alves revela que ele tem contas secretas na Suíça, nas Ilhas Jersey, em Nassau e Miami, somando mais de 15 milhões de dólares.Os mercados reagiram sem nervosismo às denúncias. Segundo apuração da editora Silvana Rocha, os investidores fizeram duas leituras dos fatos. De um lado, a reportagem foi considerada positiva, porque a aliança PSDB/PMDB pode descartar essa indicação antes mesmo da sua confirmação, além de que não atinge Serra diretamente. Outra avaliação é de que a continuidade das incertezas sobre a candidatura Serra e a escolha de seu vice também preocupa os investidores.O fato é que, apesar de estarmos a cinco meses das eleições presidenciais, o assunto já figura como o principal para os mercados. Isso porque o cenário eleitora aponta para a possibilidade de alteração na condução da atual política econômica. Dependendo do candidato que vencer as eleições, a mudança pode ser leve ou drástica, neste caso representado uma forte guinada nas prioridades econômicas do País. Para os mercados, o melhor cenário é o de continuidade de alguns pontos principais. São eles: austeridade fiscal, política de câmbio livre e compromisso com metas de inflação. Segundo analistas, essas condições foram essenciais para que o Brasil atravessasse momentos de turbulência, como o agravamento da crise argentina, sem que os mercados fossem afetados de forma significativa.Na próxima semana, o Instituto Ibope divulgará o resultado de duas pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ontem. Uma é feita a pedido da Premium Propaganda. A outra, do Bank Of America. Ambas serão realizadas em todo o território nacional no período entre hoje e o dia 20, com um total de dois mil entrevistados. Já o Instituto Vox Populi registrou nova pesquisa eleitoral hoje no TSE. A apuração será feita neste fim de semana, em todo o território nacional, também com dois mil entrevistados. Opiniões divididas sobre decisão do CopomO Comitê de Política Monetária (Copom) vai reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, na próxima semana. A reunião está marcada para terça e quarta-feira e, diferentemente dos meses anteriores, quando o resultado era anunciado após o fechamento dos mercados, desta vez a decisão sai no horário do almoço. A antecipação é motivada pela viagem do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, e do diretor de Política Econômica da instituição, Ilan Goldfajn, a Madri para participação em um seminário sobre a aproximação dos bancos centrais da América Latina e europeus.As opiniões dos analistas estão divididas em relação à decisão do Comitê. A Selic está em 18,5% ao ano e os mais otimistas apostam em redução da taxa. Os motivos: recuperação econômica mais lenta do que o esperado e inflação menos pressionada, apesar da alta do dólar. Já os mais cautelosos, que apostam em manutenção dos juros, afirmam que o comportamento da inflação ainda preocupa, principalmente porque não há nenhuma garantia de que a escalada do dólar chegou ao fim.O diretor do BNL Asset Management, Cláudio Lellis, faz parte da ala mais conservadora dos analistas. Segundo ele, o cenário atual para a inflação não é muito diferente hoje do que estava em abril, quando o Comitê decidiu pela manutenção da taxa em 18,5% ao ano. "Há algum alívio, mas apenas pela sazonalidade", afirma. O diretor acredita que as incertezas em relação ao quadro sucessório também pesarão nesta decisão. O estrategista-chefe da HSBC Investment Bank, Dawber Gontijo, também concorda com a expectativa de manutenção da Selic. Ele afirma que as perspectivas para a inflação em 2002 apontam para o teto da meta que, neste ano, é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Ou seja, o teto da meta é 5,5% neste ano. "As incertezas deixam os investidores inseguros, o que provoca um aumento da demanda por dólares, pressionando para cima as cotações. O comportamento da moeda norte-americana tende a influenciar a inflação", afirma Gontijo.Na segunda-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgará o índice de Preços ao Consumidor (IPC) referente à segunda quadrissemana de maio. Os analistas esperam um resultado entre zero e uma alta de 0,10%. Na primeira quadrissemana, o Índice registrou queda de 0,030%.Estados Unidos e ArgentinaEm relação aos Estados Unidos, os investidores continuam observando os números da economia do País. Um dos principais dados sai na quinta-feira. O Departamento do Trabalho divulga o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana até 18 de maio. Outro dado importante sai na sexta-feira, quando o Departamento do Comércio divulga a primeira revisão do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro trimestre.Na Argentina, o vice-ministro de Economia e secretário de Política Econômica da Argentina, Enrique Devoto, afirmaram hoje que, na semana próxima, serão anunciadas as primeiras medidas para o fim do "corralito", instituído desde o dia 4 de dezembro do ano passado e que congelou os depósitos. Segundo apurou a correspondente Marina Guimarães, outra notícia esperada é o encontro do ministro de Economia, Roberto Lavagna, com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, na próxima terça-feira. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.