Mercados: perspectivas para a próxima semana

Na próxima semana, os mercados devem operar com baixa liquidez devido aos feriados no Brasil e nos Estados Unidos. Logo na segunda-feira, os mercados norte-americanos estarão fechados devido ao feriado do Memorial Day. Na quinta-feira, é feriado de Corpus Christi no Brasil. Com a expectativa de um baixo volume de recursos nos mercados, analistas esperam por oscilações mais fortes. "Além disso, dependendo de cenário político interno e dos mercados internacionais, as cotações do dólar podem subir ainda mais. No mercado acionário, a tendência é que a entrada de novos recursos continue escassa e uma recuperação do valor das ações no curto prazo é uma aposta arriscada", afirma o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi.Se de um lado há expectativa de redução no volume de negócios devido aos feriados, o mesmo não ocorre em relação aos fatos que podem mexer com o humor dos investidores. Na segunda-feira, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgará a 48a Rodada da pesquisa CNT/Sensus. Nesta apuração, será feito um novo levantamento das intenções de voto para presidência da República. Também será apurado o Índice de Satisfação do Cidadão e a percepção dos brasileiros sobre diferentes temas conjunturais nacionais e internacionais.Analistas não esperam grandes alterações na colocação dos pré-candidatos. De qualquer forma, a apuração poderá trazer um crescimento das intenções de voto para o presidenciável pelo PSDB José Serra. Isso porque desde terça-feira, quando foi ao ar a primeira de uma série de inserções nacionais do partido, houve uma maior exposição do pré-candidato na TV.Como vem ocorrendo nos finais de semana, as revistas semanais podem trazer novas denúncias e, caso isso se confirme, os mercados podem apresentar alguma reação. A única reportagem esperada é da revista "Carta Capital". Segundo apurou a jornalista Rita Tavares, a edição traz uma denúncia contra o pré-candidato Anthony Garotinho (PSB). Na reportagem, o empresário Guilherme Freire, que já teve negócios com Garotinho na época em que ele era prefeito de Campos, fala de supostos negócios irregulares do pré-candidato. Cenário econômico no BrasilNo cenário econômico interno, a expectativa fica por conta da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu pela manutenção da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, no atual patamar, de 18,5% ao ano. Em nota divulgada ao final da reunião, o Comitê justificou a sua decisão: "embora existam sinais de que os preços livres estejam convergindo para a trajetória desejada, o balanço dos riscos ainda não permite uma redução dos juros".Os analistas já têm uma idéia de quais são estes riscos e aguardam mais detalhes. A desvalorização do real frente ao dólar, a elevação da taxa de risco-país do Brasil e as incertezas em relação aos preços do barril do petróleo são os motivos que poderão ser relacionados no documento a ser divulgado pelo Comitê. O documento será divulgado na quarta-feira, por volta das 12h (leia mais informações sobre a reunião do Copom nos links abaixo).Outra notícia do cenário econômico que deve atrair a atenção dos investidores é a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que é calculado entre o dia 15 do mês anterior e 15 do mês atual. O índice, que será divulgado na terça-feira, é importante, pois representa uma prévia do IPCA fechado do mês, cujo resultado é usado como referência para a meta de inflação. Neste ano, a meta de inflação é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Vale lembrar que a política monetária atual é definida pelo cumprimento da meta de inflação. Também na terça-feira será divulgada a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre.Cenário internacionalO ritmo da atividade econômica dos Estados Unidos ainda preocupa os investidores, apesar de haver alguns sinais de reaquecimento. Nesta sexta-feira, as bolsas norte-americanas reagiram de forma negativa à revisão em baixa do PIB do país. O resultado passou de um crescimento de 6% para 5,6%. Apesar de ser um número robusto, a revisão para baixo decepcionou os investidores.Na próxima semana, a divulgação de novos números da economia dos Estados Unidos deve atrair a atenção dos investidores. Os principais são dados de renda pessoal e mercado de trabalho, gastos com consumo em abril, vendas de imóveis residenciais usados, índice de confiança do consumidor e números sobre o comércio varejista.No mercado internacional, também há uma forte preocupação com a possibilidade de novos ataques terroristas em território norte-americano e o agravamento dos conflitos no Oriente Médio. São fatos que contribuem para o nervosismo dos investidores e também a alta do preço do barril do petróleo no mercado internacional, o que acaba afetando a economia mundial.Reflexos sobre o BrasilPara o Brasil, as incertezas no cenário internacional somam-se às incertezas quanto à sucessão presidencial, resultando em uma saída de recursos estrangeiros. Para se ter uma idéia, em maio, até o dia 20, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra uma saída de R$ 155,276 milhões. No ano, o saldo de capital externo acumulado caiu para R$ 616,462 milhões.Outra conseqüência é que o governo e as empresas brasileiras têm dificuldade para colocar seus títulos no exterior e acabam pagando juros mais elevados para captar recursos. Outras incertezas do cenário interno contribuíram para esta elevação dos juros, como o encaminhamento do processo eleitoral e o atraso na aprovação da emenda que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).No caso dos títulos públicos, este aumento nos juros faz com que o risco-país suba. Esta taxa mede a diferença entre os juros pagos pelo governo brasileiro e os juros negociados nos títulos da dívida norte-americana e reflete a confiança dos investidores estrangeiros na capacidade do país em honrar suas dívidas.Outra decorrência deste cenário em função da dificuldade de captação de recursos por parte do governo e empresas brasileiras é uma diminuição do volume de dólares para o Brasil. Com isso, as cotações da moeda norte-americana ficam pressionadas. Além disso, se há um aumento na demanda por dólares no mercado interno, a moeda norte-americana tende a ficar em patamares ainda mais elevados.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

24 de maio de 2002 | 21h07

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.