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Mercados: perspectivas para a próxima semana

Apesar da melhora dos mercados nessa sexta-feira, os analistas destacam que momentos de nervosismo podem voltar a dominar os negócios na próxima semana. Isso porque o encaminhamento das eleições presidenciais, que é o principal fator a influenciar os investidores nesse momento, seguirá no foco de atenções até outubro, quando acontece o primeiro turno das eleições. "Daqui até lá, nada será mais relevante do que as eleições. Como ainda há muitas incertezas sobre quem será o novo presidente e de que forma ele conduzirá a política econômica, a instabilidade deve permanecer nos mercados", afirma Júlio Ziegelmann, da BankBoston Asset Management.Nesse mês, os investidores estão atentos às convenções dos partidos e às alianças que vêm se formando, além da permanente preocupação com as pesquisas de intenção de voto, segundo informa o diretor de gestão de carteiras do West LB Banco Europeu, Mário Cardoso. Nessa sexta-feira, um dos motivos para a melhora do humor dos investidores foi justamente boatos sobre uma nova pesquisa eleitoral, que estaria sendo realizada hoje com resultados possivelmente conhecidos nesse final de semana. Os rumores são de que, nas prévias dessa pesquisa, o pré-candidato pelo PSDB, José Serra, teria passado de 17% para 23% das intenções de voto. Já o candidato de oposição, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, teria caído de 43% para 37%. Cardoso acredita que o nervosismo pode voltar aos mercados na próxima semana, caso a subida de Serra na pesquisa não se confirme.O fato é que todo o nervosismo dos investidores toma por base o risco de ruptura da atual política econômica. Uma melhora dos mercados, portanto, depende do crescimento das intenções de voto para o presidenciável do PSDB - candidato mais próximo ao atual governo - ou de um aumento da confiança dos investidores estrangeiros no candidato de oposição. No final desse mês, o PT, partido que está na liderança das pesquisas, apresentará seu plano de governo, o que deve atrair a atenção dos investidores.Inflação e jurosO Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará na próxima quarta-feira o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente ao mês de maio. E, ao longo da semana, outros índices de inflação serão divulgados no Brasil. O IPCA é usado como referência para a meta inflacionária, a qual define a política de juros do atual governo. Nesse ano, a meta é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Luis Fernando Lopes, estrategista do JP Morgan, afirma que, além das atenções com fatos do cenário político, os quais podem mexer com o dia-a-dia dos mercados, os investidores acompanharão com atenção os índices inflacionários. Isso porque, nos dias 18 e 19 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, e o comportamento da inflação deve pesar nessa decisão."Acredito que os membros do Comitê ainda não têm nenhuma idéia sobre qual será a decisão. Se a reunião fosse hoje, não haveria como reduzir a taxa que está em 18,5% ao ano. Se não houver novos fatos negativos até lá, o risco-país recuar, os números de inflação registrarem queda e o cenário político ajudar, o Comitê pode decidir por um corte de 0,5 ponto porcentual. Mas isso depende do que acontecerá até a reunião", afirma Lopes.Comportamento dos mercadosO estrategista do JP Morgan acredita que os mercados podem ter uma semana menos instável a partir de segunda-feira. "Se os investidores gostarem do resultado da próxima pesquisa eleitoral, os negócios podem ficar mais tranqüilos e parte das perdas acumuladas nos ativos pode ser revertida. Mas isso não significa uma tendência real de recuperação", declara. Em relação ao dólar, Lopes não arrisca um patamar de estabilização da moeda. "Esse é um mercado de forte oscilação. Em períodos de incerteza, os movimentos tendem a se acentuar", afirma. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Ziegelmann, da BankBoston Asset Management, declara que uma recuperação está relacionada à volta do investidor estrangeiro para esse mercado. Mas, segundo ele, isso não deve acontecer enquanto o encaminhamento da sucessão presidencial estiver indefinido. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

07 de junho de 2002 | 19h48

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