Mercados: perspectivas para a semana

Apesar da queda da apreensão dos investidores em relação à alta dos índices de inflação, o assunto ainda continua sendo foco de atenção do mercado financeiro na próxima semana. Na quarta-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), referente ao mês de agosto. Trata-se de um número que reflete a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos. Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan, acredita que o resultado deve ficar em 1,6%. Caso esse número se confirme, representa uma alta em relação ao Índice de julho - 1,4% -, mas também um recuo na comparação com o resultado da terceira quadrissemana - 1,8%. "Depois desse resultado, a tendência é de um recuo mais forte nos índices de inflação, já a partir de setembro", explica. A alta nos índices inflacionários levou o mercado a reavaliar as perspectivas para o resultado anual da inflação. A meta do governo, que leva em conta o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de um número entre 4% e 8%. Antes do repique da inflação, analistas acreditavam que esse número ficaria próximo a 5%. A reavaliação dos analistas projetou a inflação anual para um patamar próximo de 6,5%, ficando dentro da meta. Semana apática no mercado financeiroMesmo com a expectativa em relação a mais um índice de inflação, os analistas aguardam uma semana apática no mercado financeiro. A segunda-feira é feriado nos Estados Unidos - Dia do Trabalho - e na quinta-feira, no Brasil comemora-se o Dia da Independência. Com isso, os investidores devem manter suas posições e os negócios devem ficar abaixo do praticado normalmente.O feriado nos Estados Unidos marca a volta do período de férias e, com isso, o retorno dos investidores ao mercado financeiro. De acordo com Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, a expectativa é de uma entrada maior de recursos no mercado norte-americano a partir de terça-feira. "O mercado brasileiro também deve ser beneficiado, mas isso ainda vai levar alguns dias", explica. Inflação em alta pode atrasar queda dos jurosO Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se no dia 20 de setembro para definir a nova taxa básica de juros - Selic. A alta da inflação também altera a perspectiva dos analistas para os juros no final de 2000. A possibilidade da taxa ficar no patamar de 15% ao ano foi praticamente abandonada e a maior parte dos analistas aposta agora em juros em 16% ao ano.Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank, acredita que o Copom não deva reduzir os juros na próxima reunião. "A taxa deve ficar ainda no patamar de 16,5% ao ano. A ata da última reunião do Comitê já sinalizou a preocupação do governo com o assunto e justificou a cautela adotada na reunião de agosto", explica.Como ficam seus investimentos? A tendência de juros em baixa melhora as perspectivas para os investimentos em ações. "O atraso na queda da Selic, provocada pela alta da inflação, não muda esse cenário. Isso porque as aplicações em renda variável são indicadas apenas para o longo prazo", declara Alexandre Malfitani, administrador de fundos de renda variável do Deutsche Bank Investimentos.Isso quer dizer que o investidor que compra ações deve ter a possibilidade de ficar com o dinheiro aplicado até que consiga o rendimento desejado, mesmo que seja por períodos superiores a um ano. Por isso, a recomendação é aplicar apenas um parte de seus recursos no mercado acionário, pois não há nenhuma garantia de retorno e o risco da aplicação é muito elevado.Com a perspectiva de queda dos índices de inflação, as aplicações em fundos de renda fixa prefixada devem ter um pequeno aumento da rentabilidade líquida em setembro. Em agosto, esse segmento apresentou rendimento líquido de 1,20%. Mas, o retorno do fundo vai depender da duração dos papéis que compõem a carteira da aplicação. Em um cenário de queda de juros, quanto mais longos os prazos dos papéis, maiores as chances de ganho. Porém, o risco também é maior.A perspectiva para o dólar é de mais um período de alta nas cotações. Malfitani alerta que o investidor não deve aplicar em ativos vinculados à moeda norte-americano pensando na possibilidade de maiores rendimentos. "Com o câmbio livre, a chance de oscilação da cotação do dólar é muito grande e isso compromete o rendimento de um fundo cambial, por exemplo, que deve ser adotado apenas por quem tem dívidas em dólar e busca proteção".

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