Mercados: perspectivas para a semana

A alta do petróleo deve continuar na pauta do mercado financeiro na próxima semana. O preço do barril do produto ultrapassou o patamar de US$ 35,00 no mercado internacional nessa sexta-feira e a perspectiva é que continue em alta. Mesmo com o aumento da produção diária em 800 mil barris, decidido pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no domingo, analistas acreditam que a produção não é suficiente para suprir o aumento da demanda no hemisfério norte, onde os estoques já estão baixos. No Brasil, a alta do preço do petróleo deixa o mercado financeiro instável em função dos reflexos do mercado internacional, principalmente dos Estados Unidos, que vêm mantendo uma política de juros mais altos com o objetivo de conter os índices de inflação. O preço do petróleo em alta prejudica essa estratégia e deixa os investidores norte-americanos apreensivos, preocupando também os investidores no Brasil. Alta do preço do petróleo ainda não afetou inflação Em relação à inflação no Brasil, a alta do produto no mercado internacional não atingiu os índices brasileiros, já que o governo tem segurado o reajuste dos combustíveis. Para isso, utiliza recursos que deveriam ser direcionados à Parcela de Preços Específica (PPE) (veja mais informações no link abaixo). Os analistas acreditam que, caso os preços fiquem muito tempo em níveis altos, o governo poderá subir o preço dos combustíveis no final do ano, o que teria um impacto direto na inflação desse ano.De acordo com Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan, mesmo que o governo reajuste o preço dos combustíveis, a meta anual de inflação não será comprometida. "A cada aumento de 20% no preço do produto nas refinarias, o consumidor paga 14% pelo litro da gasolina. No índice de inflação, a alta é de 0,52 ponto porcentual", explica.A meta anual de inflação estabelecida pelo governo para 2000 é de 6%, com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais. Para a análise da inflação, o governo toma como base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até agosto, o Índice acumulado está em 4,63%.Copom deve deixar juros em 16,5% ao anoNa próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se nos dias 19 e 20 para reavaliar a taxa básica de juros - Selic. O consenso entre os analistas é que o Comitê adote novamente uma postura de cautela e mantenha os juros em 16,5% ao ano. Na ata da última reunião, o Copom deixou clara a sua preocupação com a alta do preço do petróleo, afirmando que esse era um dos motivos para a manutenção da Selic.Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, acredita que o comportamento do mercado nos últimos dias já reflete uma frustração dos investidores que esperavam novos cortes na taxa de juros. Na opinião de Balafas, o Copom deve deixar a taxa de juros em 16,5% ao ano, com viés neutro, ou seja, a Selic só voltaria a ser reavaliada na próxima reunião do Comitê.Como fica o mercado na próxima semana?O cenário externo terá forte influência sobre o mercado interno na próxima semana. A alta do preço do petróleo e a forma como os investidores estrangeiros vão se comportar devem definir o desempenho das ações, dos juros e do câmbio. Em relação à decisão do Copom, caso os juros fiquem estáveis em 16,5% ao ano, Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, acredita que o mercado financeiro não deve reagir com grandes oscilações. "No momento, os investidores já assimilaram a estabilização das taxas de juros e isso não deve trazer mais pessimismo para os negócios", explica.Ziegelmann lembra que a falta de recursos continua sendo o principal problema para a reação dos negócios no mercado de ações. "A entrada de investimento externo é essencial para o aumento do volume de operações. Isso daria um pouco de recuperação ao mercado de ações e atrairia também os grandes investidores nacionais, como os fundos de pensão, fazendo com que o pequeno investidor seguisse a tendência", explica.O mercado de câmbio também deve ser influenciado pelo cenário internacional. Gina Baccelli, economista-chefe da Lloyds Asset Management, acredita que as oscilações devem continuar em função do preço do petróleo. Porém, a expectativa da instituição é que o dólar encerre o ano em R$ 1,90. "Essa cotação é a mais justa, levando-se em conta o cenário econômico brasileiro", afirma Gina.E como ficam seus investimentos?As oscilações no mercado financeiro podem provocar perdas maiores nos investimentos mais arriscados, como o segmento de ações. O investidor precisa estar preparado para o "sobe e desce" nos preços dos papéis das empresas. Por isso, quem aplica seus recursos no mercado acionário deve ter disponibilidade para deixar o dinheiro investido por um período indeterminado, ou até que se consiga o rendimento desejado. Para quem busca segurança, aplicar em fundos DI, ou pós-fixados, é a melhor alternativa, já que o rendimento acompanha a movimentação dos juros, bem mais estáveis que as demais aplicações.Vale destacar que a alta nas cotações do dólar não devem ser motivo para que o investidor opte por aplicações atreladas à moeda norte-americana. Isso porque o ativo pode oscilar muito, provocando perdas no rendimento. Só deve entrar nesse segmento quem tem dívidas em dólar pois, nesse caso, a aplicação funciona como uma forma de proteção contra essas perdas.

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