Mercados: perspectivas para a semana

O cenário externo deve continuar no alvo das atenções do mercado financeiro brasileiro na próxima semana. As empresas norte-americanas começam a divulgar seus balanços referentes ao terceiro trimestre e isso deve ter forte influência nas bolsas dos Estados Unidos. Nos últimos dias, companhias como a Intel, Kodak e Apple anunciaram que esperam uma redução nos resultados do terceiro trimestre. Além da queda do euro, que prejudica as importações da Europa - um dos principais centros consumidores dos produtos norte-americanos, também a alta do petróleo, encarecendo a produção, vem determinando o baixo desempenho das empresas.Os reflexos já começam a ser percebidos nas bolsas norte-americanas. O índice Dow Jones - que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na Bolsa de Nova York - acumulou uma queda de 1,81% na semana. A Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - registrou uma baixa de 3,44% no período. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou o movimento e terminou a semana acumulando uma queda de 2,60% no período.De acordo com Gina Baccelli, economista-chefe da Lloyds Asset Management, a instabilidade em relação ao preço do petróleo e a baixa na cotação do euro devem permanecer na próxima semana. "Ainda é muito cedo para dizer que o investidor deve deixar a cautela de lado. A baixa do euro foi provocada por uma intervenção de bancos centrais europeus e o preço do petróleo deve continuar oscilando até o final do inverno no hemisfério norte", afirma Gina.Também na próxima semana, o banco central norte-americano (FED) reúne-se nos dias 2 e 3 para definir se mantém estável a taxa de juros do país. Desde junho do ano passado, em uma política de aumento dos juros para a contenção dos índices de inflação e crescimento da economia, o FED já promoveu seis aumentos na taxa, elevando-a de 4,75% ao ano para 6,5% ao ano. Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan afirma que a aposta do mercado é de manutenção da taxa de juros norte-americana. Mercado financeiro no BrasilA ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o relatório de inflação do Banco Central (BC), divulgados nessa semana, deram um certo otimismo para os investidores. Apesar da elevação da projeção de inflação de 5,6% para 6,7% nesse ano, o dado reafirmou que a meta de inflação para esse ano - de 6%, com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais - deverá ser cumprida.A alta do preço do petróleo ainda pode pressionar o governo a elevar o preço dos combustíveis. Mesmo assim, análise do banco JP Morgan revela que a meta de inflação será cumprida. "O petróleo pode continuar oscilando até o início do próximo ano. Nesse caso, o governo reajustaria os combustíveis em 5%, provocando um aumento de 0,3 ponto porcentual no IPCA. Mas a meta seria cumprida", afirma Carvalho. Diante desse cenário, Carvalho acredita que o Copom pode promover mais um corte na taxa básica de juros - Selic - reduzindo-a de 16,5% ao ano para 16% ao ano até o final de 2000. Para Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, o Copom já pode reduzir a Selic na próxima reunião, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro. "Se o petróleo ficar estabilizado em US$ 30,00 o barril, são grandes as chances de queda da taxa de juros. O corte ficaria entre 0,5 e 0,25 ponto porcentual.", prevê. Gina, do Lloyd´s Bank, não é tão otimista. Ela acredita que a Selic fique estável em 16,5% ao ano na próxima reunião.O mercado já começa a antecipar a tendência de queda da taxa de juros. Na semana passada, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam a semana pagando juros de 16,940% ao ano. Na sexta-feira da semana passada, os juros pagos ficaram em 17,150% ao ano. No mercado acionário, o baixo volume de negócios continua não favorecendo uma recuperação dos negócios. Para se ter uma idéia, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) movimentou hoje R$ 446 milhões. Em épocas mais favoráveis, o giro de negócios chegou a R$ 1 bilhão. Ziegelmann não prevê uma melhoria do cenário no curto prazo. Porém, em um período mais longo, o diretor do BankBoston acredita em um mercado estimulado pelo crescimento da economia e pela queda das taxas de juros. Já o dólar segue influenciado, principalmente, pelo fluxo de recursos no País. Nos próximos dias, em função da instabilidade do preço do petróleo, a cotação da moeda norte-americana pode apresentar oscilações.Como ficam seus investimentos?No cenário atual, a recomendação é que o investidor mantenha a cautela. As oscilações do preço do petróleo podem provocar altos e baixos tanto na Bolsa, como no dólar ou juros. O investidor que aceitar correr algum tipo de risco em suas aplicações deve estar preparado para, até mesmo, perder dinheiro. Para quem prefere optar por segurança, os fundos DI (pós-fixados) continuam sendo a melhor alternativa. Eles acompanham as taxas de juros e não oferecem nenhum tipo de risco.

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