Mercados: perspectivas para a semana

O cenário externo deve continuar guiando os negócios no mercado financeiro brasileiro na próxima semana. O desempenho da Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet -, os baixos resultados de empresas norte-americanas e as oscilações do preço do petróleo deixaram o mercado instável nos últimos dias e não há nenhuma expectativa de que isso seja revertido.Desde o dia 1º de setembro, a Nasdaq iniciou um movimento de baixa. De lá para cá, o recuo foi de 20,62%. Apenas na primeira semana de outubro, a queda foi de 8,49%. "A Nasdaq reúne empresas de um segmento novo. Quando os investidores compraram papéis desse setor, eles projetaram ganhos muito elevados que, de fato, não vieram. Com isso, o que se vê é uma grande sensação de frustração em relação à aplicação, o que faz com que o investidor venda seus papéis, puxando para baixo o preço das ações", explica Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management.Nos últimos dias, empresas como a Kodak, Intel, Xerox e Apple anunciaram queda em seus resultados referentes ao terceiro trimestre. De acordo com Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, existem empresas que ainda não divulgaram seus números e, por isso, há grandes chances de que a Nasdaq continue em baixa.Veja as perspectivas para a BolsaO desempenho da bolsa eletrônica dos Estados Unidos tem influência negativa sobre o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Por outro lado, o cenário econômico brasileiro é positivo, e a Bovespa tenta se desvencilhar dos resultados negativos da Nasdaq. Desde o dia 19 de setembro, a Bovespa tem oscilado, sem conseguir definir uma tendência de alta ou baixa no curto prazo. A falta de recursos novos, a cobrança da CPMF e o adiamento de uma melhoria do rating (classificação) do País por parte das agências de risco dificultam essa recuperação. "O feriado na quinta-feira deve diminuir ainda mais o volume de negócios no mercado acionário na próxima semana. Continuamos na expectativa da melhoria de rating, mas não há nenhuma tendência de que a Bolsa terá um desempenho melhor nos próximos dias", afirma Balafas. Também na próxima semana a situação da Argentina pode ter alguma influência sobre os mercados no Brasil. Mas, de acordo com Ziegelmann e Balafas, o impacto deve ser mínimo em relação às fortes conseqüências que as quedas sucessivas na Nasdaq podem provocar no cenário interno. Petróleo continua em altaO petróleo é outra variável importante no mercado externo. Apesar da expectativa dos analistas de uma estabilização dos preços até o final do ano, não há nenhuma segurança que, de fato, isso vai acontecer. A questão política - ameaça de que o Iraque invada o Kuwait -, a falta da capacidade de refino do petróleo e o aumento da demanda no hemisfério norte deixam o preço do barril do petróleo acima do patamar de US$ 30,00.Balafas afirma que a alta do preço do produto prejudica o cenário para o mercado de ações, tanto para os papéis de empresas do setor de tecnologia como para o de empresas tradicionais. Isso porque os custos dessas companhias ficam reduzidos e as perspectivas de ganhos diminuem ainda mais. De acordo com o diretor, a queda no desempenho da Nasdaq e da Dow Jones - bolsa de Nova York - reflete a alta do preço do petróleo que vem acontecendo desde o início de agosto. Para se ter uma idéia, de 31 de julho a 19 de setembro, a alta foi de 32,66%.Perspectivas para juros e câmbioAs taxas de juros no Brasil também são influenciadas pelo cenário externo. A instabilidade e as oscilações do mercado internacional determinam uma pressão de alta sobre os juros. Dentro dessas perspectivas, a taxa básica referencial de juros - Selic -, usada como parâmetro nas transações com títulos indexados aos juros, será avaliada nos 17 e 18 de outubro na reunião mensal do Comitê de Política Monetária Copom. Com a alta do preço do petróleo, o Copom decidiu por manter os juros estáveis em 16,5% ao ano nas duas últimas reuniões - agosto e setembro. A expectativa dos analistas é de que, se o preço do petróleo continuar oscilando, a Selic seja novamente mantida no patamar atual, mesmo com o recuo dos índices de inflação que vem sendo comprovado pela queda dos índices inflacionários.Na próxima semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de setembro. A expectativa de Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan, é que o Índice fique em 0,4%. O IPCA é usado como referência para a meta de inflação do governo que, para esse ano, é de 6% com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais.No mercado de câmbio, o fluxo de recursos equilibrado deveria manter a cotação do dólar estável. Porém, com a instabilidade do cenário externo, os analistas acreditam que não é possível traçar um cenário definido para as cotações.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2000 | 21h37

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