Mercados: perspectivas para a semana

O preço do petróleo deve ser o centro das atenções no mercado financeiro nos próximos dias. O conflito entre israelenses e palestinos tomou proporções arriscadas no final dessa semana e não há nenhuma certeza de quando o conflito deve terminar. O que antes era uma pressão de alta em função do aumento da demanda no hemisfério norte e falta de capacidade nas refinarias, tornou-se uma reação especulativa em função de questões políticas. De acordo com Marcelo Alain, economista-chefe do Banco Inter American Express, esse cenário deixa o mercado financeiro ainda mais instável. "Antes os fatos eram um pouco mais previsíveis, pois seguiam uma lógica econômica. Agora o jogo mudou. O que se vê é a lógica política, que impede qualquer projeção", explica.No mercado interno, a continuidade de alta do preço do petróleo pode pressionar o governo a aumentar o preço dos combustíveis. O governo deve avaliar, principalmente, o que essa alta pode provocar nos índices de inflação, já que existe uma preocupação de toda a equipe econômica em cumprir a meta estabelecida - de 6%, com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais."A estabilidade da inflação é um dos pontos mais importantes do plano Real. Além disso, a política de redução dos juros depende de um controle dos preços e da demanda", afirma Alain. De acordo com o economista, uma alta de 10% no preço do combustível provoca uma elevação de 0,5 ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) - Índice usado pelo governo como base para a meta de inflação do governo.Mesmo com inflação sob controle, juros não caemNa próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para decidir a taxa básica de juros - Selic. Nas duas últimas reuniões, o Comitê decidiu por manter os juros em 16,5% ao ano. Em agosto, o motivo para a manutenção dos juros foi a pressão de alta nos índices de inflação. O movimento foi temporário: em julho, o IPCA chegou a 1,61%, caiu para 1,31% em agosto e recuou para 0,23% em setembro.Em setembro, o Copom novamente manteve os juros no patamar de 16,5% ao ano. Dessa vez, o único determinante foi a instabilidade em relação ao preço do petróleo, já que os índices de inflação voltaram a ser controlados. Na próxima reunião, nos dias 17 e 18 de outubro, a aposta em estabilidade dos juros é unânime entre os analistas do mercado. De acordo com Hugo Penteado, economista-chefe da ABN Amro Asset Management, mesmo antes dos conflitos no Oriente Médio, a instituição já apostava em uma postura de cautela do Copom, mantendo os juros no patamar atual. Alain tem uma posição diferente: "O cenário interno é muito positivo, com estabilidade nas contas fiscais, inflação contida e vitória do governo na questão do Banespa. Porém, se analisássemos apenas fatores internos, o Comitê poderia cortar os juros em 0,5 ponto porcentual".Resultados de empresas norte-americanas continuam na pautaO mercado acionário nos Estados Unidos deve continuar instável na próxima semana. Empresas norte-americanas continuam a divulgar seus resultados trimestrais e, a cada desempenho abaixo do esperado, os investidores reagem de forma negativa. Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, explica que o recuo no preço dos papéis é proporcionalmente superior ao que, de fato, a empresa deixou de lucrar. "Os acionistas não avaliam apenas aquilo que deixaram de ganhar no trimestre, mas toda a projeção traçada de ganhos nos próximos anos", afirma o diretor.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) continua tentando descolar-se do desempenho frustrante do mercado de ações nos Estados Unidos. Mas os problemas do segmento acionário brasileiro persistem e a Bolsa não consegue reagir. São eles: cobrança da CPMF, baixo volume de negócios, falta de uma legislação que beneficie o investidor minoritário e o atraso da melhora de rating por parte das agências de classificação de risco.Apesar disso, a Bovespa ainda tem um resultado menos desfavorável no ano, se comparada com a baixa acumulada pela Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet nos Estados Unidos - no período. A Bolsa acumula uma perda de 8,30%, enquanto a bolsa eletrônica dos Estados Unidos está em baixa de 20,58%.Veja as tendências para o mercado financeiro na próxima semanaCom a instabilidade no cenário externo - alta do preço do petróleo e oscilações no mercado acionário dos Estados Unidos - a expectativa é de uma semana com muitas oscilações, tanto na Bolsa, como no mercado de juros e câmbio.Penteado afirma que a Bolsa deve seguir com volume de recursos reduzidos e atenta ao desempenho de Nova York. No mercado de juros, as expectativas também não são positivas. "No caso do dólar, as oscilações devem ser ainda maiores, já que a moeda norte-americana é a primeira variável a sofrer o impacto de oscilações externas", explica. A ABN Amro Asset Management, que projetava a cotação do dólar em R$ 1,75, revisou sua estimativa para R$ 1,86.Como ficam seus investimentos?Em períodos de instabilidade, o investidor deve aumentar a cautela. Os fundos DI (ou pós-fixados) continuam como a opção para quem não quer correr nenhum risco. Já os fundos de renda fixa prefixados podem apresentar ganhos atrativos, mas em um período mais longo. Penteado acredita que o juro real - taxa de juros descontando-se a inflação - nos próximos anos pode chegar a 6% ou 7% ao ano. Atualmente, com a Selic em 16,5% ao ano e meta de inflação em 6% para 2000, o juro real pode ficar em 10,5%. Nesse caso, dependendo da duration - prazos - dos papéis que compõem a carteira dos fundos de renda fixa prefixados, os lucros podem ser atraentes. Mas, é preciso que o investidor avalie os riscos desse tipo de investimento. Em um cenário mais pessimista, os juros podem não cair ou até mesmo subir e, assim, o investidor corre o risco de perder dinheiro. Veja no link abaixo mais informações sobre essa aplicação.No mercado de ações, há papéis com boas perspectivas de valorização. Porém, apenas quem tem tolerância ao risco deve entrar nesse segmento. Não há nenhuma garantia de retorno em qualquer período determinado. Uma opção para quem não tem o hábito de comprar ações ou não pretende avaliar constantemente sua carteira acionária é investir em um fundo de ações. Dessa forma, é o administrador do fundo quem cuida da composição da carteira. Porém, o investidor terá que pagar uma taxa de administração. Veja também no link abaixo mais informações sobre essa cobrança.

Agencia Estado,

13 de outubro de 2000 | 22h09

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