Mercados: perspectivas para a semana

Na próxima semana, a Argentina continuará no foco das atenções do mercado financeiro. A paridade da moeda argentina com o dólar engessa a economia do país e provoca recessão. Isso porque as empresas tornam-se menos competitivas no mercado internacional, assim como têm os custo de sua produção interna também elevados. Com fracos resultados, elas pagam menos impostos.E com a queda na arrecadação, o governo argentino é obrigado a captar recursos no mercado externo, pagando juros mais altos, o que provoca uma elevação das taxas também no mercado interno. Como não existe a compensação do câmbio flutuante, o movimento mais previsível nesse contexto, uma desvalorização, não acontece. A desvalorização do peso deixaria as empresas do país mais competitivas. Mas como isso é impossível, amenos que se altere a constituição, a recessão na Argentina é cada vez maior. Devido às estreitas relações comerciais entre os países, o Brasil sofre com a economia recessiva na Argentina. Além disso, cria-se um cenário de incertezas no mercado internacional. "Em momentos como esse, o investidor estrangeiro tende a deixar os ativos de maior risco, como os oferecidos por países de economias emergentes, em busca de estabilidade", afirma José Júlio Senna, ex-diretor de política monetária do Banco Central (BC) e diretor da MCM Consultores.Comenta-se no mercado financeiro um possível pacote de ajuda de grandes bancos ao governo argentino. Na avaliação de Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável do BankBoston, essa seria uma solução temporária, já que o problema do câmbio livre continuaria. Luiz Fernando Lopes, economista-chefe do Chase Manhattan Bank, afirma que a situação na Argentina é prejudicada pelo fraco crescimento mundial, provocado pela política monetária adotada pelos Estados Unidos, que vem elevando suas taxas desde meados do ano passado. "Mas, se a situação de toda a economia mundial melhorasse, a Argentina também seria afetada positivamente", explica.Argentina é apenas um dos fatores de tensão externaSenna afirma que, mesmo sem a crise na Argentina, os mercados de câmbio, juros e ações poderiam estar apresentando as oscilações verificadas nos últimos dias. "A Argentina foi apenas a gota d´água. O que estamos vivendo faz parte de uma conjuntura econômica mundial, que é prejudicada pela intenção dos EUA de elevar suas taxas de juros".O preço do petróleo também é motivo de incerteza. O aumento da demanda no hemisfério norte e o conflito político no Oriente Médio puxam os preços do produto para cima. Esse cenário produz dois efeito, de acordo com Senna. "Para o próximo ano, a perspectiva de crescimento mundial diminui. Além disso, os mercados tendem a oscilar mais, já que não se sabe quais serão os desdobramentos da crise no Oriente Médio."Como ficam os mercados na próxima semanaEnquanto as incertezas no cenário externo continuarem, não há nenhuma perspectiva de que as oscilações diminuam. No mercado de ações, já existe espaço para uma recuperação do preço das ações. A inflação está controlada, os juros estão bem abaixo dos patamares praticados há uma ano e as empresas vêm demonstrando bons resultados financeiros. Porém, a Bolsa de Valores de São Paulo vem se guiando pelas incertezas do cenário externo e pelo baixo desempenho das bolsas de Nova York. A Nasdaq - bolsa que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - acumula queda de 20,80% no ano e o Ibovespa - Índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa - acumula perda de 16,78% no mesmo período."Como o segmento de empresas de tecnologia e Internet não tem um histórico para ser analisado e as empresas também são novas, os investidores ainda não conseguiram chegar a um valor justo para as ações. Além disso, o balanço trimestral dessas empresas revelou resultado abaixo do esperado, o que frustrou os investidores que revisaram para baixo as possibilidades de ganho com os papéis dessas empresas", explica Ziegelmann.O mercado de câmbio e juros também deve ser influenciado pelo cenário externo e as oscilações devem continuar. Vale lembrar que na próxima semana, o feriado de finados, que acontece na quinta-feira, deve reduzir o volume de operações. Com isso, o investidor tem chances menores de conseguir ganhos expressivos em suas operações.Veja no link abaixo o cenário para seus investimentos.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2000 | 22h18

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