Mercados: perspectivas para a semana

O cenário externo deve continuar no centro das atenções do mercado financeiro na próxima semana. A economia dos Estados Unidos é a principal preocupação e os analistas se dividem sobre a confirmação do hard landing - desaceleração brusca - na atividade econômica do país e as conseqüências que isso pode ter na economia mundial.O economista-chefe do J.P. Morgan no Brasil, Marcelo Carvalho, estima em 35% a probabilidade para a confirmação desse cenário. "O hard landing se caracteriza por um crescimento do PIB menor ou igual a 2% por dois trimestres seguidos e pelo aumento de 0,5 ponto porcentual do desemprego", afirma o executivo. A última revisão do PIB norte-americano foi divulgado nessa semana e ficou em 2,4%.Mas, para o diretor de renda variável do BNP Asset Management, Nicolas Balafas, o cenário atual é apenas o resultado da política monetária traçada pelo banco central dos Estados Unidos (FED). Desde junho do ano passado, o FED já elevou os juros anuais de 4,75% para 6,5%, com o objetivo de conter o crescimento da economia e segurar a alta dos índices de inflação. "O que se vê hoje já era previsto pelo FED, ou seja, o banco central dos EUA tem total controle sobre o cenário atual", explica Balafas. Nasdaq: instabilidade e oscilações devem continuar Outro fator de forte influência no mercado financeiro nos últimos dias e que deve continuar nas próximas semanas é o desempenho da bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet nos Estados Unidos - Nasdaq. No acumulado do ano, a queda é de 36,16%.Balafas afirma que o recuo do preço dos papéis nessa bolsa é resultado de uma adequação dos valores. "Os analistas projetaram altos ganhos para as empresas. Como isso não aconteceu, os investidores refazem suas projeções de ganho e isso é percebido no valor da ação agora" explica.Luiz Fernando Lopes, economista-chefe do Chase Manhattan Bank, ressalta que a apreensão dos investidores sobre o desempenho da Nasdaq é motivada pela instabilidade que isso provoca no mercado financeiro e pelas conseqüências que os baixos resultados das empresas de Internet provocam em outros setores da economia. Para se ter uma idéia, a taxa de inadimplência das companhias negociadas na Nasdaq era de 3%. Entre 1994 e 1999 saltou para 6%. Na avaliação de Lopes, a perspectiva é de que esse patamar suba para 9%. "Problemas relacionados a crédito e liquidez diminuem o volume de recursos que pode ser direcionado para investimentos em outros países", afirma o economista.ArgentinaA crise na Argentina ainda pode ter conseqüências no mercado financeiro. Uma melhoria no quadro argentino depende de um pacote de ajuda externa que está condicionado à aprovação de medidas para congelamento de gastos e de reforma do sistema previdenciário. "A Argentina não sobrevive sem a ajuda externa e uma piora das condições lá pode afetar a economia brasileira e a imagem que o Brasil tem no exterior, assim como de outros países emergentes", explica. E como fica o mercado financeiro e os seus investimentos?Nesse caso há consenso entre os analistas. A continuidade de oscilações, ou seja, os altos e baixos no mercado de câmbio, juros e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), deve permanecer no mercado financeiro na próxima semana. Os especialistas recomendam muita cautela na hora de investir. Informação e orientação de profissionais especializados são fundamentais para a escolha dos seus investimentos. Veja no link abaixo mais informações.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2000 | 21h52

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