Mercados: perspectivas para a semana

As declarações do presidente do banco central norte-americano (FED), Alan Greenspan, reverteram a tendência dos negócios no mercado financeiro e devem continuar influenciando o humor dos investidores na próxima semana. Em seu discurso, Greenspan sinalizou com a possibilidade de reversão da tendência de alta dos juros ou, até mesmo, de corte das taxas.No dia 19, o FED realiza sua reunião mensal para reavaliar o patamar das taxas de juros. Desde junho do ano passado, o banco central norte-americano já elevou a taxa seis vezes, passando de 4,75% ao ano para 6,5% ao ano. O objetivo do FED era conter o crescimento econômico do país e reduzir a pressão de alta sobre os índices de inflação. Porém, os últimos indicadores da economia dos EUA começam a indicar que este cenário já é percebido e isso abriria espaço para uma reversão da tendência.Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan, acredita que o FED vai mudar a tendência de alta das taxas de juros norte-americanos. "Com isso, a possibilidade de corte da taxa básica de juros no Brasil, a Selic, fica ainda maior. Acredito que a redução deve ser de 0,5%". O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se nos dias 19 e 20 de dezembro para tomar essa decisão. O resultado sai no dia seguinte à reunião do FED. Além da reversão da tendência das taxas de juros nos EUA, Carvalho elenca outros fatores favoráveis à queda da Selic: aprovação do pacote de ajuda à Turquia e Argentina, queda do preço do petróleo, queda forte dos índices de inflação e declarações do presidente do Branco Central (BC) sinalizando essa tendência.Como fica o mercado financeiro na próxima semana?Os analistas esperam que a semana comece de forma mais tranqüila no mercado financeiro. A melhora da perspectiva dos investidores em relação à desaceleração da economia norte-americana, ou seja, à confirmação de um desaquecimento suave do crescimento econômico, influencia de forma positiva a economia dos países emergentes. Isso porque, com a diminuição da instabilidade no cenário internacional, aumenta a probabilidade de retorno, e mesmo de novas entradas, de recursos estrangeiros.Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o volume de negócios pode começar a aumentar na próxima semana. A melhora dos negócios na Nasdaq - bolsa dos Estados Unidos que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet -, aliada à possibilidade de reversão da tendência de juros nos EUA, deve manter a Bolsa em alta na próxima semana.No mercado de câmbio e juros, há espaço para queda das cotações. Flávio Bojikian, diretor de renda fixa da BankBoston Asset Management, acredita que a moeda norte-americana deve ficar abaixo do patamar de R$ 1,95 no final desse ano. Hoje, o dólar fechou em R$ 1,9680 - patamar de negociação das últimas operações do dia. "Mesmo que a Selic não caia esse ano, as taxas de juros entre os investidores, que sinalizam a perspectiva do mercado para os próximos meses, já começaram a ceder", explica o executivo.Os números de dezembro sinalizam uma reversão do clima no mercado financeiro. Até hoje, a Bovespa acumula ganho de 12,75%. De acordo com Alexandre Póvoa, diretor de renda variável da ABN Amro Asset Management, até o final de novembro, vários fatores negativos impediram uma reação dos negócios. "Em poucos dias, todas essas questões mudaram de perspectiva. É provável que o clima positivo continue", explica.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2000 | 22h26

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