Mercados: perspectivas para a semana

O mercado financeiro começa o ano com boas perspectivas, diante da estabilidade econômica vivida pelo País em 2000 e que deve se estender pelo próximo ano. De acordo com entrevista do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, ao Jornal da Tarde, a economia brasileira alcançou bons resultados em 2000 - cumprimento da meta de inflação de 6% no ano e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,8%, quando o Banco Central (BC) previa um crescimento de 3,5%. O ex-ministro destacou também que, apesar da instabilidade externa - incertezas em relação ao ritmo da desaceleração da economia norte-americana, alta do preço do petróleo e crise na Argentina -, o governo conseguiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) durante o ano. No início de 2000, a Selic estava em 19% ao ano e finaliza o período em 15,75% ao ano.Analistas acreditam que as condições econômicas brasileiras devem continuar favoráveis em 2001. Em função disso, esperam que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tenha um resultado melhor no próximo ano, na comparação com 2000, quando encerrou os negócios com baixa de 10,72% no acumulado do ano. Mas esse cenário depende das condições internacionais. O ritmo da desaceleração da economia norte-americana é o foco de atenção dos investidores no início do próximo ano e, segundo eles, será o fator de maior influência no cenário brasileiro nos próximos meses. O banco central norte-americano (FED) vinha elevando os juros do País, desde meados do ano passado, com o objetivo de conter o aquecimento econômico e desacelerar a inflação. Teme-se que o desaquecimento da economia norte-americana seja muito acelerado. A alta dos juros no país já provou uma redução na taxa de crescimento do PIB norte-americano de 5% para um patamar bem próximo a 2%. O grande temor dos investidores é que isso provoque uma recessão nos EUA, o que teria impacto em outras economias. E como fica o mercado financeiro?Diante de um quadro favorável para a economia brasileira no início de 2001, a expectativa dos analistas é de que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tenha um resultado positivo até o final do ano. Porém, o mercado internacional pode comprometer esse resultado. As empresas norte-americanas do setor de tecnologia e Internet, que têm ações negociadas na Nasdaq, começam a divulgar os lucros do último trimestre do ano em janeiro de 2001. Caso fiquem abaixo das expectativas, o preço das ações pode cair, em função da redução da perspectiva de ganho com essas aplicações. O desempenho da Nasdaq tem forte influência sobre o resultado da Bolsa paulista. Isso porque, em momentos de instabilidade, o investidor, principalmente o estrangeiro, tira seu dinheiro de países com maior risco para cobrir prejuízos na bolsa eletrônica. Para se ter uma idéia, os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,15 bilhões da Bovespa em 2000. O resultado é quase o oposto de 1999, quando entraram na Bolsa paulista R$ 2,23 bilhões. Contribui também para isso a possibilidade de um desaquecimento forte da economia mundial.No mercado de juros, a expectativa da maioria dos analistas é de que o juro real fique em torno de 10% em 2001, com um juro nominal médio em torno de 14% e uma inflação acumulada no ano de 4%. Analistas acreditam que o ritmo da queda da taxa de juros no Brasil vai depender da velocidade da desacaleração da economia dos EUA.No caso do dólar, a perspectiva é de que a moeda norte-americana oscile em função do mercado externo. Em momentos de incerteza, os investidores migram de ativos de maior risco, como as aplicações em países emergentes, para ativos de menor risco. No Brasil, isso se traduz na saída de dólares, o que provoca uma elevação na cotação da moeda.E como ficam seus investimentos? Confirmada a tendência de queda das taxas de juros no próximo ano, os fundos de renda fixa - com predominância de títulos prefixados - devem ser os mais atraentes. Porém, existe risco nesse tipo de investimento. O valor da cota desses fundos é marcado diariamente e, de acordo com o risco existente no mercado, ele será maior ou menor. Veja no link abaixo os riscos dos fundos renda fixa. Nesse sentido, quem vai precisar do dinheiro no curto prazo ou, mais precisamente, antes de três meses, deve direcionar os recursos para um fundo sem risco. A dica é aplicar em um fundo DI, ou pós-fixado, cuja rentabilidade acompanha a tendência para os juros e não há risco de perdas. A aplicação é indicada para quem pretende formar uma reserva para as despesas extras, específicas do início do ano. Para quem tem dívidas em dólar ou pretende economizar para uma viagem ao exterior, a recomendação é atrelar seus investimentos à moeda norte-americana. Isso porque, caso a cotação suba, o investidor terá sua aplicação protegida. Mas os fundos cambiais não representam um hedge, ou seja, um sistema de proteção perfeito. Isso porque há a incidência de Imposto de Renda de 20% sobre o rendimento mensal. Já os investimentos em ações devem ser escolhidos apenas por pessoas que não têm uma data específica para resgate dos recursos. Isso porque, em caso de perda, o investidor poderá aguardar até que o mercado se recupere e ele possa conseguir o rendimento esperado. A recomendação é de que apenas uma parte dos recursos seja direcionado para esse segmento e, mesmo assim, apenas quem aceita correr riscos e tem horizonte de longo prazo deve entrar nesse mercado. Outra dica: quem não tem o hábito de investir em ações ou não tem tempo para acompanhar os setores escolhidos deve optar pelo fundo de ações, ao invés de comprar ações diretamente. Isso porque têm a vantagem de aceitar aplicações de menor valor e contar com a gestão de um profissional.

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