Mercados: perspectivas para a semana

O cenário externo continua no foco das atenções dos investidores na próxima semana. Mas, no Brasil, muitos fatos terão importância e podem ter influência expressiva no direcionamento dos negócios no mercado financeiro. São três os principais acontecimentos: divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao quarto trimestre; eleição para as presidências da Câmara e do Senado; e a divulgação da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Todos esses fatos acontecem na quarta-feira, dia 17.Os analistas ainda estão divididos sobre a estratégia a ser adotada pelo Copom. Alguns esperam um corte de 0,25%; outros acreditam em manutenção dos juros no patamar atual de 15,25% ao ano. A justificativa dada pelos analistas para um corte de juros é que as taxas no Brasil estão muito altas, com espaço para mais cortes. Além disso, a tendência de queda de juros nos EUA fortalece o movimento de baixa no Brasil. Para os analistas que apostam em manutenção dos juros, como o economista do BankBoston, Marcelo Cypriano, a melhor atitude para o Comitê agora é manter uma posição mais conservadora. "Os números sinalizando um aquecimento forte da economia, o dólar em patamares mais elevados e os resultados negativos da balança comercial não são favoráveis para corte das taxas", explica.De acordo com o executivo, uma média anual para o dólar acima de R$ 2,00 pode comprometer a meta de inflação de 4% em 2001. Isso porque, o dólar mais caro provoca um encarecimento dos produtos importados, o que pode ter reflexos também no preço de produtos nacionais. O resultado disso é a inflação. Para o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo, o governo não vai medir esforços para garantir a meta de inflação para o ano. "Até mesmo o crescimento econômico será contido, caso o patamar de 4% possa ser afetado", explica. Nesse caso, um dos meios é segurar a queda das taxas de juros.Veja as perspectivas para o mercado financeiroA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentou um movimento forte de realização de lucros no início de fevereiro. Isso significa que os investidores venderam papéis para embolsar os ganhos positivos conquistados nos meses de dezembro e janeiro, quando a Bolsa acumulou uma alta de 33%. A queda mais expressiva em fevereiro aconteceu entre os dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro - de 5,32%. Analistas consideram que a Bolsa ainda pode continuar registrando algum movimento de realização de lucros, mas em volumes mais reduzidos. Isso já começa a ser percebido. No acumulado de fevereiro, até essa sexta-feira, a baixa está em 3,02% - menor do que a verificada nos primeiros dias do mês. As taxas de juros devem permanecer em queda, de acordo com a expectativa de analistas. Mas, até a reunião do Copom, eles acreditam que ela pode oscilar um pouco. Já a taxa de câmbio pode cair ainda mais na próxima semana mas, segundo a economista-chefe da Lloyds Asset Management, esse patamar não deve ficar abaixo de R$ 1,95. E o que fazer com os investimentos?A recomendação dos analistas para períodos com maior estabilidade e tendência de queda das taxas de juros, como o atual, é a diversificação. Nesse sentido, o primeiro passo é separar o dinheiro do curto prazo, que será usado para pagamento de contas ou com uma data definida para saque, dos recursos que podem ficar aplicados por períodos mais longos ou até que se consiga a rentabilidade desejada.O dinheiro do curto prazo deve ser direcionado para aplicações sem risco, ou seja, os fundos pós-fixados (DI), que acompanham as taxas de juros. Já as aplicações que podem ficar aplicadas por um período mais longo podem incorporar um certo grau de risco que, em troca disso, costumam apresentar rentabilidade um pouco superior. Mas essa decisão vai depender da tolerância que cada investidor tem ao risco. É importante destacar que as aplicações com as maiores chances de ganhos em 2001, na opinião dos analistas, são as ações. A expectativa é de que as mais negociadas na Bovespa cheguem a um rendimento acumulado de 30% no ano. Porém, nesse tipo de investimento, o risco é de 100% e o investidor pode, até mesmo, perder todo o dinheiro aplicado. Regra geral: a escolha do melhor investimento deve levar em conta o prazo do investimento, o perfil de quem está aplicando, e o volume de recursos que poderá ser direcionado. Nesse momento, além disso, a diversificação também deve pesar na escolha.

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