Mercados: perspectivas para a semana

Uma semana menos dias úteis no Brasil, mas que pode trazer surpresas para os investidores. Essa é a expectativa dos analistas para a semana que começa na quarta-feira, após às 13h. O cenário externo apresenta vários pontos de instabilidade que podem mexer com as operações logo na abertura dos negócios.A economia dos Estados Unidos está em processo de desaceleração. Por outro lado, os índices de inflação voltaram a registrar alta e isso preocupou ainda mais os analistas. Mas, segundo Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, a avaliação de que o país já está em processo de estagflação - recessão aliada à inflação - é exagerada. Os números da economia norte-americana são esperados como um indicativo dessa tendência e a próxima semana começa com várias sinalizações. Na segunda-feira será divulgado o indicador de vendas de imóveis usados em janeiro. No dia seguinte, sai o número de encomendas de bens duráveis também referente ao mês de janeiro e a pesquisa sobre o desempenho do comércio varejista até 24 de fevereiro. Já na quarta-feira, o presidente do FED, Alan Greenspan, deporá em Comitê da Câmara norte-americana.Nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York podem reagir aos números a cada divulgação. No Brasil, como os mercados só começam a operar na quarta-feira, a reação dos investidores terá todo o impacto em um único dia. A expectativa de Balafas é que a oscilação seja forte no primeiro dia de negócios da semana. Argentina e Turquia A situação econômica da Argentina e Turquia cria ainda mais instabilidade no cenário externo, principalmente em relação aos países de economias emergentes. Para o Brasil, isso não é diferente. Prova disso é que a moeda norte-americana apresentou uma alta de 2,49% na última semana. Isso significa um movimento de maior procura por dólares, com o objetivo de hedge, ou seja, segurança. Tendência para os mercadosNa próxima semana, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve refletir uma oscilação mais forte nos primeiros dias de operação. Luiz Fernando Lopes, estrategista de mercado do JP Morgan, acredita que a baixa registrada pela Bolsa nos últimos dias já não é mais um movimento de realização de lucros, ou seja, investidores vendendo papéis com o objetivo de embolsar ganhos conseguidos.O dólar deve permanecer acima de R$ 2,00, na opinião de Lopes, "Mas não há espaço para subir muito mais do que o patamar atual", avalia. Já as taxas de juros, segundo o estrategista, devem continuar em queda. "A expectativa é que a taxa básica de juros, a Selic, chegue ao final do ano entre 13,5% e 14% ao ano", prevê Lopes.E como ficam seus investimentos?O estrategista do JP Morgan recomenda cautela ao investidor em momentos de instabilidade. Isso porque, em muitos ativos, como o dólar, as cotações não estão refletindo fatos reais, apenas as incertezas dos investidores. "Não é hora de mudar de aplicação", avalia. Para quem tem recursos novos para investir, é preciso analisar primeiro o período em que o dinheiro ficará aplicado. No curto prazo, o ideal é direcionar os recursos para aplicações sem risco. Exemplo disso são os fundos pós-fixados (DI), que acompanham as taxas de juros. Os fundos prefixados, de acordo com os analistas, podem trazer vantagem para quem vai aplicar por um período superior a seis meses.Já a Bolsa tem boas opções de investimento. Mas, para colocar recursos nesse tipo de aplicação, é necessário no mínimo 18 meses. Lopes lembra que nesse segmento o investidor não deve comparar os ganhos com os oferecidos pelo DI a cada mês. É preciso de um horizonte mais longo para apresentar, de fatos, ganhos mais elevados.

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