Mercados: perspectivas para a semana

O clima de instabilidade no mercado financeiro não tem data para acabar. Na opinião dos analistas, enquanto durarem as incertezas em relação à capacidade da Argentina de honrar sua dívida e de retomar o crescimento econômico, os negócios no mercado financeiro podem viver dias tensos como a sexta-feira (veja mais informações no link abaixo).Na próxima terça-feira, o governo argentino vai oferecer papéis do Tesouro aos investidores. Como o governo precisa de dinheiro para se financiar, a expectativa é que os juros dessa operação fiquem em patamares elevados, o que provocará um aumento ainda maior da dívida argentina. Para a economia do país, juros altos também diminuem a possibilidade de recuperação do crescimento das empresas e da economia como um todo. Para reverter o cenário de exportações enfraquecidas, uma das alternativas do governo seria uma desvalorização do peso argentino, ou seja, o fim da paridade cambial, o que tornaria os produtos argentinos mais competitivos no mercado internacional. Mas o problema é que grande parte das dívidas das empresas e do governo está denominada em dólares e uma desvalorização do peso provocaria uma quebradeira nas empresas e uma inevitável recessão para o país, com o aumento do desemprego e graves problemas de crédito nos bancos. Diante da falta de um cenário positivo, seja pelo refinanciamento da dívida interna ou pela desvalorização do peso argentino, economistas apontam a reestruturação da dívida argentina - leia-se calote em algum nível - como a única alternativa ainda viável para tentar solucionar a situação do país vizinho. Porém, quanto mais demorada essa ação, menores as chances de sucesso na estratégia. Cenário político: outro foco de instabilidadeO último lance da crise política, ou seja, as declarações do presidente da Comissão de Ética, senador Ramez Tebet, de que as investigações sobre os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, podem chegar a uma cassação dos mandatos desses políticos, pioraram ainda mais a instabilidade no mercado financeiro.Nesse caso, também não há data definida para um desfecho. A grande apreensão dos investidores é que, no desenrolar das investigações, novas descobertas recaiam sobre outros membros do primeiro escalão do governo federal e, ainda pior, que comprometam o presidente Fernando Henrique Cardoso. Na próxima semana, espera-se o depoimento de Domingos Lamoglia de Sales Dias, assessor do senador Arruda, que deverá negar que tenha recebido lista revelando os votos de cada um dos senadores que participou do processo de cassação do mandato de Luiz Estevão, no dia 28 de junho do ano passado. O assessor fará dois depoimentos: na segunda-feira, ao corregedor do Senado Romeu Tuma e, na terça-feira, aos integrantes da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Qualquer fato novo pode provocar instabilidade no mercado financeiro.Mercado norte-americanoA expectativa dos analistas para o mercado financeiro nos EUA na próxima semana são positivas. Porém, segundo os analistas, há pouca possibilidade de que a melhora nos negócios norte-americanos possa refletir de forma positiva no Brasil. O período de maior concentração de anúncios de resultados financeiros das empresas terminou nessa semana e os resultados finais foram até favoráveis.No mês de abril, a Nasdaq - bolsa dos Estados Unidos que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - acumula uma alta de 17,56%. O índice Dow Jones - que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na bolsa de Nova York - está com uma valorização de 7,10%. Dicas de investimentoAnalistas recomendam cautela para quem tem dinheiro a investir no curto prazo. Em períodos mais longos, o investidor terá que avaliar a tolerância que tem ao risco. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

20 de abril de 2001 | 21h11

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