Mercados: perspectivas para a semana

Após as fortes incertezas nas duas semanas que se seguiram aos atentados terroristas nos Estados Unidos, os mercados financeiros parecem ter atingido novos patamares de estabilidade, claramente mais pessimistas do que os observados antes de 11 de setembro. Mas, ao menos por ora, a boa notícia é que o primeiro ajuste já foi feito e houve até algum espaço para recuperação.De fato, as previsões apocalípticas que acompanharam as primeiras declarações do presidente George W. Bush prometendo retaliação militar perderam sentido. Os líderes mundiais têm sido extremamente cautelosos e há vários sinais de que os Estados Unidos ainda nem decidiram que rumo tomar. Além disso, os esforços diplomáticos, inclusive com vários representantes do mundo árabe, tornam um alastramento do conflito, já confinado ao isolado regime Taleban do Afeganistão, cada vez mais improvável.Do ponto de vista econômico, dados divulgados ao longo do mês mostram claramente que a desaceleração nas taxas de crescimento da economia dos EUA já caminhava para uma recessão no final de agosto. Os ataques em Nova York e Washington apenas aceleraram e aprofundaram o processo, ancorado na baixa confiança, e, portanto, baixa disposição em gastar do consumidor norte-americano. Nesse sentido, a apreensão com a segurança e a perspectiva de guerra são muito negativos.Por outro lado, as perdas decorrentes dos ataques foram grandes e as conseqüências negativas prosseguem, como no caso dos setores ligados a viagens aéreas, em forte retração. Mas poderia ser pior. O governo dos Estados Unidos e da cidade de Nova York disparam em popularidade, e a ponderação das ações do presidente George W. Bush têm amenizado o cenário para os investidores.Além disso, os governos no mundo inteiro coordenaram ações de intervenção nos mercados, fazendo com que o ajuste à nova realidade viesse com algum equilíbrio. Em reunião extraordinária, o Fed - banco central norte-americano - já cortou o juro básico em 0,5 ponto porcentual. Na terça-feira, o órgão realiza sua reunião programada, e a expectativa é que os juros voltem a cair mais 0,5 ponto, passando dos atuais 3% ao ano para 2,5% ao ano. Analistas afirmam que ainda haveria espaço para uma queda adicional de 0,25 pontos porcentuais.Espera-se uma recuperação da economia a partir de meados do ano que vem, não havendo surpresas no campo militar. De qualquer forma, as incertezas quanto à guerra e a recessão dificultam uma recuperação mais expressiva dos mercados nos Estados Unidos, com efeitos no mundo todo.Governo brasileiro intervém pesadamenteO governo brasileiro deixou bem claro que uma disparada do dólar é inaceitável. A hipótese é que as altas são especulativas. Empresas com obrigações em moeda estrangeira no futuro antecipam a compra de divisas para assegurar-se de que poderão honrá-las. Com isso, pressionam as cotações, num ciclo vicioso. Se a análise estiver correta, e não há como sabê-lo a priori, as intervenções têm sentido enquanto o governo tiver recursos para tanto. Se estiver errada, o custo será alto, e o efeito, pequeno.De qualquer forma, foram muitas as intervenções e de várias maneiras. O difícil será convencer os investidores a não correr para o dólar, dadas as incertezas do cenário internacional, especialmente considerando-se as dificuldades adicionais do Brasil.O país tem uma grande necessidade de investimentos estrangeiros para fechar suas contas externas. Mas o atual cenário reduz as perspectivas de entrada de recursos. Por um lado, investidores fogem de aplicações mais arriscadas, como papéis de países emergentes. Além disso, há menos capitais disponíveis, devido às perdas com a recessão nos EUA. A outra opção é uma ampliação das exportações - que, aliás já está ocorrendo -, acompanhada de uma redução das importações estimulada pela desvalorização comercial e a própria desaceleração econômica no Brasil.Levando-se em conta as dificuldades que outros mercados emergentes enfrentam e a possibilidade de contágio, crescem as preocupações com a Turquia e a Argentina, ambos com problemas ainda maiores para atrair capitais externos. Alguns analistas brasileiros já prevêem um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para fechar as contas em 2002, ano de eleições estaduais e federais, o que traz mais incertezas ao cenário.O mercado teme que, frente às enormes incertezas que o cenário externo traz, haja insolvência entre empresas e até mesmo de governos nesses países. Agências de classificação de risco já anunciaram que estudam alterar a avaliação de risco do Brasil, o que poderia levar a uma nova onda de pessimismo nos mercados. E notícias pontuais negativas a respeito da recessão norte-americana ou desdobramentos indesejáveis da guerra também podem assustar os investidores. Assim, ainda são grandes as chances de que o dólar volte a subir se o noticiário reservar surpresas desagradáveis. O fator principal a ser observado pelos investidores continua sendo o dólar. Em função da sua evolução, as demais variáveis serão ajustadas.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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