Mercados: perspectivas para a semana

Os mercados encontraram um ponto de estabilidade em torno dos atuais patamares de negócios e oscilam pouco. Agora apenas novidades no noticiário devem mudar as perspectivas gerais de ligeira recuperação. Mas, além da estabilidade e de um certo otimismo, continua predominando uma dose de cautela, especialmente em relação ao cenário externo. Estados Unidos e Argentina seguem no centro das atenções.Para investidores nacionais e estrangeiros, o pessimismo que tomou conta de 2001 provavelmente acabou. O maior fator de risco para o Brasil - as contas externas - foram beneficiadas pelos reflexos da desvalorização cambial na balança comercial. O dólar subiu, contendo importações e promovendo exportações, com um saldo surpreendente nas previsões para esse e principalmente para o próximo ano. Até a Polônia resolveu honrar compromissos antigos com o País e US$ 2,457 bilhões caíram do céu. Assim, as necessidades de dólares para o ano que vem estão cobertas, salvo novos sustos.Além disso, a crise energética parece estar chegando ao fim sem grandes efeitos sobre a economia. As atuações firmes do Banco Central no mercado de câmbio também contribuíram para a retomada da confiança por parte dos investidores. Porém, a maioria dos analistas não espera uma queda da Selic - taxa básica referencial de juros da economia - na próxima reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 21. A inflação superará o limite máximo da meta estabelecida para 2001, que é de 6%, e as projeções para o ano que vem indicam forte pressão. No exterior, as boas notícias vêm da Ásia Central. A coalizão liderada pelos Estados Unidos vem obtendo resultados surpreendentes até para o Pentágono. Se há duas semanas a discussão era se os bombardeios continuariam durante o ramadã - mês de jejum para os muçulmanos que começa hoje -, hoje as principais cidades do país foram tomadas e as forças envolvidas negociam a formação de um governo transitório. E o desgaste para os EUA foi mínimo. O risco agora é que as forças de Osama bin Laden e do Taliban permaneçam entrincheiradas no interior remoto do Afeganistão, resistindo com luta de guerrilhas. Assim, o conflito poderia trazer baixas para a coalizão e prolongar-se por muito mais tempo. De qualquer forma, é um cenário muito mais positivo e de menor risco do que se poderia prever há um mês. Mas as boas notícias acabam aí.Economia dos EUA preocupaA economia dos Estados Unidos segue em forte desaceleração. A recessão é uma realidade e os indicadores apontam queda na produção, aumento no desemprego e deflação. Em função disso, muitos analistas esperam mais um corte na taxa básica de juro, atualmente em 2% ao ano. A taxa já está abaixo da inflação e pode cair a 1,75% ao ano, segundo essas expectativas.A recessão norte-americana provoca uma forte desaceleração da economia mundial e preocupa. Num momento em que as exportações brasileiras esperam ter um impulso, a retração dos mercados consumidores dos países parceiros é uma péssima notícia. Por enquanto, a situação está sob controle, mas uma demora na retomada do crescimento pode trazer novos desequilíbrios para o Brasil. Ainda assim, a maioria dos analistas acredita que a política de juros baixos do governo dos EUA surtirá efeito no tempo devido. Argentina novamente à beira do abismoRepetindo o noticiário da maior parte do ano de 2001, a situação da Argentina segue agravando-se. O governo terá de honrar pagamentos de US$ 1,6 bilhão no final do mês e não tem recursos para tanto. Membros da equipe econômica estão no exterior tentando conseguir um adiantamento emergencial de uma parcela do Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 1,3 bilhão. Embora seja possível, o Fundo não dá sinais de que isso vá acontecer. A opção será sacar dinheiro das reservas internacionais, que cairiam a níveis perigosos.Até agora muitos governadores da oposição ainda não assinaram o acordo de corte de repasse de verbas federais às províncias, que inclui a eliminação do déficit público em todas as esferas de governo e renegociação das dívidas das províncias a juros baixos e prazos mais longos. Assim, a situação financeira de muitos governadores é muito grave.Ao longo da semana que entra será realizada a troca da dívida da União e das províncias com os credores internos. Títulos antigos serão substituídos por novos, a juros de 7% ao ano (ou taxa libor mais 3%) a prazos mais longos com a garantia da arrecadação de impostos. A ansiedade entre os investidores é grande, pois as perdas são grandes. Teme-se porém que seriam maiores com os papéis em vigor.Após a troca com os credores argentinos, será a vez dos investidores estrangeiros. Espera-se que essa parcela da operação esteja concluída em dois ou três meses. No total, podem ser trocados cerca de US$ 60 bilhões em títulos. Se o total chegar a US$ 30 bilhões, o governo economizará entre US$ 3 e US$ 4 bilhões em juros no ano que vem. A dúvida é se será suficiente.As projeções feitas pela equipe econômica argentina não consideram a atual desaceleração econômica, que continua surpreendentemente forte nesse quarto ano de recessão. A arrecadação de impostos segue despencando e os cortes draconianos realizados até agora podem acabar não sendo suficientes para cumprir as metas a que o governo se propõe. O resultado é que as reservas internacionais e depósitos bancários seguem caindo, e o risco país da Argentina chegou a inacreditáveis 2.766 (leia mais a respeito no link abaixo).Há uma percepção de que a situação do Brasil é bem mais sólida, mas um colapso da economia argentina teria efeitos sobre os mercados, ainda que temporários. E os riscos não são pequenos. Além das dificuldades financeiras conhecidas, chamou a atenção dos analistas que a troca de títulos não é regulamentada pelas leis norte-americanas - mais seguras, pois estão fora do alcance do governo em Buenos Aires -, mas pelas argentinas. E o ministro da Economia, Domingo Cavallo, confirmou que falou sobre dolarização com o secretário de Tesouro dos EUA, Paul O´Neill, hoje no encontro do G-20 em Ottawa.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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