Mercados: perspectivas para a semana

Os negócios no mercado financeiro devem permanecer equilibrados na próximas semanas. Mas há risco de instabilidade em alguns momentos, caso a situação argentina traga fatos novos negativos. Nesta sexta-feira à noite, está marcada uma grande manifestação em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino e, na próxima semana, são grandes as chances de que a população continue a se manifestar de forma cada vez mais agressiva contra as condições econômicas e financeiras do país. O principal motivo para a revolta da população é o regime que restringe os saques bancários.O presidente Eduardo Duhalde está no posto há um pouco menos de um mês e são grandes as pressões sobre ele. A principal causa é o processo de pesificação das dívidas dos argentinos e de empresas do país. Sobre esta questão, a dúvida crucial é quem vai ficar com o prejuízo. No caso das instituições financeiras, muitos créditos concedidos em dólar serão pagos em pesos, de acordo com uma taxa de câmbio fixa - em $1,40 peso por dólar. O fato é que esta é uma taxa de câmbio irreal. Para se ter uma idéia, o dólar abriu cotado hoje na Argentina a $1,85 peso no câmbio livre.A Argentina também enfrenta o problema de falta de recursos para fechar suas contas. Depois de declarar a moratória, o país não conta com a ajuda de organismos internacionais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) vincula a possibilidade de novos recursos à aprovação de um Orçamento com forte corte de gastos. Por outro lado, o governo enfrenta a resistência das províncias para atingir este objetivo e ainda precisa elaborar medidas que favoreçam o reaquecimento da atividade econômica. Fed avalia juros norte-americanos na terça-feiraEm relação ao cenário externo, os investidores também estarão atentos aos sinais da economia norte-americana. Os analistas ainda mantêm a expectativa de que o ritmo da atividade econômica do país volte a ficar mais forte a partir do segundo semestre. Na próxima semana, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) reavalia a taxa de juros do país, que está em 1,75% ao ano. Muitos analistas apostam em manutenção dos juros neste patamar. A política monetária estabelecida pelo presidente do Fed foi de forte redução das taxas de juros a partir dos atentados terroristas, em 11 de setembro. De lá para cá, a taxa foi reduzida pela metade - estava em 3,5% ao ano no início de setembro. Os últimos números da economia norte-americana já demonstram alguma recuperação, mas os analistas ainda aguardam sinais mais fortes neste sentido. As bolsas do país já retornaram para os níveis anteriores aos atentados. Ontem o presidente do Fed, Alan Greenspan, fez um depoimento mais otimista ao comitê do Senado, afirmando que a economia norte-americana pode estar saindo da recessão (veja mais informações no link abaixo).Brasil: inflação, ata do Copom e balança comercialInternamente, os investidores aguardam a divulgação de índices de inflação na próxima semana, além do resultado mensal da balança comercial. Na terça-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) referente à terceira semana de janeiro. O Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), será conhecido na quarta-feira é o primeiro índice de inflação fechado do mês de janeiro.O comportamento da inflação tem sido acompanhado de perto pelos analistas, pois a definição das taxas de juros toma por base o cumprimento das metas de inflação. Neste ano, a meta é de 3,5% ao ano, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic - a taxa básica de juros da economia - ficou em 19% ao ano. Ao final da reunião do Comitê, a lentidão na queda dos índices de inflação foi apontada como o principal motivo para a decisão. Na próxima quinta-feira, será divulgada a ata da reunião, que deve detalhar os motivos para a decisão do Copom. Já o saldo semanal da balança comercial será divulgado na segunda-feira e o saldo mensal, na sexta-feira. No início do ano, a expectativa dos analistas era de que a balança comercial encerrasse este ano com um saldo positivo de US$ 5 bilhões. Os primeiros números da balança comercial em 2002 são considerados bons. No acumulado de janeiro, até o dia 20, o saldo é positivo em US$ 12 milhões. No ano passado, no acumulado do mês de janeiro, o saldo da balança comercial estava negativo em US$ 478 milhões.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2002 | 18h45

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