Mercados: perspectivas para a semana

As intervenções diárias do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, e as visitas do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, a investidores internacionais e autoridades nos Estados Unidos permitiram que o mercado chegasse à estabilidade, ainda que em patamares muito pessimistas. Ainda assim, na semana que entra, as pesquisas de opinião continuarão no foco do mercado, que também observa o encontro de Fraga e Aloízio Mercadante, candidato a senador por São Paulo e figura-chave da equipe econômica do PT. As atenções também estarão no resultado da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que se encerra na quarta-feira.As opiniões dos analistas ouvidos pela Agência Estado dividem-se quanto à trajetória da taxa básica referencial de juros da economia, a Selic, atualmente em 18,5%, que será discutida pelo Copom. Os mais otimistas falam em queda de até 0,5 ponto porcentual. Eles argumentam que os últimos números do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que norteiam as metas do governo, indicam uma folga na inflação de 2003 às atuais taxas, e que o governo já sinalizou na reunião passada, a intenção de realizar o corte, quando o ambiente estava mais instável.Mas muitos ponderam que desde o início do ano, tudo piorou no cenário econômico. Objetivamente, há espaço para uma queda, mas o dólar está acima dos R$ 2,80 e as oscilações em função do cenário eleitoral não foram definitivamente afastadas. Para os mais pessimistas, até a manutenção do viés de baixa - autorização para que o presidente do BC reduza a Selic quando julgar adequado -, atualmente em vigor, seria um passo ousado. O conservadorismo tradicional do Copom está mais próximo dessa versão, mas as quedas nas taxas de juros futuros indicam que muitos podem estar apostando em um quadro mais otimista.Nesse sentido, a ida do presidente do Banco Central aos Estados Unidos rendeu a possibilidade de um acordo de transição de governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), desde que os principais candidatos à sucessão presidencial concordem com as premissas de condução de política econômica ditadas pelo Fundo no prazo de vigência do plano. O encontro de Fraga e Mercadante é um passo nesse sentido, mas se a posição do PT nesse sentido for radicalmente contra certas regras na economia, a interpretação dos mercados pode ser muito negativa.Além disso, os mercados continuam torcendo por um candidato mais afinado com suas teses, mas a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva segue firme. A próxima pesquisa de opinião pública, a do Ibope, será divulgada na terça-feira, e conterá um possível efeito da série de entrevistas dos presidenciáveis no Jornal Nacional nessa semana. Ninguém nega que o melhor desempenho foi o do candidato do PT. Resta saber se isso será traduzido em intenções de voto.Vale lembrar que na segunda-feira começa a valer a isenção da Contribuição Provisória para Movimentação Financeira (CPMF), medida discutida por anos, mas que só agora entra em prática. Não se espera que venha a ter grande efeito nos negócios, mesmo porque o cenário internacional está muito conturbado com a crise de confiança nas bolsas norte-americanas e com o fraco desempenho das principais economias do mundo, e o quadro interno também é bastante instável.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

12 de julho de 2002 | 21h10

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