Mercados: perspectivas para a semana

Os mercados financeiros estão vivendo um momento crítico. Além das incertezas causadas pela sucessão presidencial, que vem agitando os investidores nas últimas semanas, cresceram muito as preocupações com a crise de confiança nas bolsas norte-americanas, que não param de cair. Em Nova York, já se fala em crash de 2002.Hoje as Bolsas de Nova York registraram mais um dia de quedas impressionantes. O índice Dow Jones, que mede a valorização das 30 principais ações da Bolsa de Nova York despencou 4,64%, caindo ao nível mais baixo desde 15 de outubro de 1998. Desde o dia 8 de julho, quando o mercado já vinha mal e passou à queda livre, já se acumulou uma baixa de 15,06%. Vale dizer que nem nos dias que se seguiram aos atentados terroristas nos Estados Unidos registraram índices tão baixos.O que complica essa crise é que ela se baseia na desconfiança do investidor nas instituições do país, o que não se recupera com facilidade no curto prazo. Depois de amargar muitas perdas no mercado acionário desde 2000, o aplicador tem visto seu dinheiro desaparecer inesperadamente, pois empresas que fraudavam seus dados contábeis e pareciam sólidas acabaram revelando uma situação muito frágil. Às dezenas de escândalos recentes se seguem falências e concordatas, com prejuízos para o investidor. Nessa semana, além da descoberta de novas fraudes contábeis, a Johnson & Johnson´s está sendo processada por contrariar normas do FDA - órgão regulatório de alimentos e remédios norte-americano. E muitas empresas reduziram suas expectativas de ganhos para 2003, projetando ainda mais perdas para suas ações.O resultado é que muitos desistem das ações e transferem seus recursos para aplicações mais seguras. Some-se a isso uma recuperação lenta das principais economias mundiais e muita interdependência entre os mercados. Com isso, as bolsas no mundo inteiro seguiram as quedas em Nova York. Em Paris, o CAC-40 fechou hoje com queda de 5,4% e em Londres, o FTSE-100 acumulou perda de 4,5%. O DAX, da bolsa de Frankfurt, caiu 5,09%. Às 18h, o euro era negociado a US$ 1,0114; uma alta de 0,11%. Para países emergentes como o Brasil a disponibilidade de recursos tende a cair.A questão agora é saber como essa crise pode ser enfrentada. Até agora, o governo norte-americano tem proposto penas mais rígidas contra crimes financeiros e regras mais rígidas para o mercado. Mas as medidas são tímidas e não devem ter efeito no curto prazo. A gravidade da situação sugere que na semana que vem o governo volte a se pronunciar sobre a crise.Mas a credibilidade do próprio governo é questionada, pois as investigações incluem o vice-presidente dos Estados Unidos, que nos anos 90 era presidente da Halliburton, e está sob suspeita de fraude. Também o presidente. George W. Bush, teria tomado empréstimos subsidiados da empresa da qual era sócio e diretor e usado informações privilegiadas para ganhar com a venda de ações o que é um crime federal nos EUA.Sucessão complica situaçãoNo Brasil, fatores internos agravam esse cenário de instabilidade. Os dois principais candidatos de oposição têm, somados, cerca de 60% das intenções de voto, prometendo mudanças na política econômica. E o candidato do governo, que agrada mais aos investidores, não consegue decolar. Há esperanças de que ele se recupere a partir do início do horário eleitoral gratuito, em 20 de agosto. Mas, ao menos, as principais forças políticas do país, especialmente o PT, parecem ter despertado para a inquietação do mercado e já se observa movimentação no sentido de tranqüilizar os investidores. Na semana que entra, devem continuar as conversações entre as equipes econômicas do governo e das principais coalizões que disputam a Presidência.Também chega ao Brasil na terça-feira a vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger. Comenta-se que o País possa receber um empréstimo de até US$ 10 bilhões para apoiar o processo de transição, desde que haja um compromisso formal de respeito a determinadas metas de responsabilidade fiscal e de política econômica. Mas a resistência é grande e, de qualquer maneira, os candidatos de oposição vêm procurando amenizar o discurso e conversar com a comunidade financeira para dissipar preocupações. Assim, o mercado deve continuar observando as conversas e as pesquisas de intenção de voto. Até agora, o relativo otimismo com as possibilidades de acordo têm contido quedas maiores na Bolsa e altas nos juros e no dólar. Mas ainda é uma situação muito instável e que pode ser revertida.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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