Mercados: perspectivas para a semana

Os mercados estão tensos, oscilando muito e acumulando perdas no mundo inteiro, e analistas de mercado não esperam uma mudança nesse quadro tão cedo. É verdade que nos últimos três dias as bolsas de Nova York, ainda que oscilando muito, pararam de cair. Mas a pausa pode ser momentânea e ainda é cedo para se falar em recuperação. De qualquer forma, no Brasil, não se observou nem esse pequeno alívio.O dólar e os juros já vinham subindo e a Bolsa de Valores de São Paulo paralelamente ao desenrolar da crise nos Estados Unidos por causa da sucessão presidencial, agravando o quadro. É que, conforme passa o tempo, o candidato governista, José Serra (PSDB/PMDB), preferido pelos investidores, não consegue avançar nas pesquisas de intenção de votos. Especialmente no último mês, o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, é que tem crescido muito, isolando-se na disputa com o petista Luiz Inácio Lula da Silva.O mercado já esperava uma eleição disputada, mas não entre Ciro e Lula, ambos considerados opções de maior risco à condução da política econômica. Mas ainda há esperanças, pois os analistas já previam um crescimento de Ciro pela sua exposição na mídia no último mês. Da mesma forma, espera-se que a partir do início do horário eleitoral gratuito, em 20 de agosto, a candidatura Serra decole, já que ele concentra 40% do tempo na televisão. Mas essa esperança dos investidores torna-se cada vez mais difícil de se concretizar na medida em que Ciro dispara nas pesquisas, o que ajuda a explicar a alta do dólar.Outro desejo do mercado é que o governo conclua um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que traga dólares ao mercado, seja por nova redução do limite mínimo das reservas internacionais ou recursos novos. A vice-diretora-gerente do Fundo, Anne Krueger, esteve no Brasil, conversou com o governo e representantes do setor privado, mas não se anunciou nada. A equipe econômica cogita no máximo um acordo de seis meses a um ano, preferencialmente com a adesão do próximo presidente. De concreto, o que há até agora é a venda de US$ 1,5 bilhão em cotas diárias definida no início de julho. Nessa semana acaba o mês e o governo precisa definir o que fazer. A intervenção só faz sentido se o cenário para o futuro é de estabilização. Essa é claramente a aposta da equipe econômica para depois das eleições, ganhe quem ganhar, como ficou claro nas atas da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgadas na última quarta-feira. Quando foi decidida a intervenção no câmbio, o presidente do Banco Central, Arminio Fraga, declarou que a política seria reavaliada na virada do mês, e até intensificada, se necessário. Com o agravamento do cenário e a disparada do dólar para um patamar de R$ 3, esse parece ser o caso.Nos Estados Unidos, apesar do crescimento da economia estar surpreendendo positivamente, a crise de confiança dos investidores nos mercados acionários está derrubando as cotações. O investidor desde 2000 já perdeu com o fim da bolha especulativa, com a desaceleração econômica e com os atentados terroristas de 11 de setembro do ano passado. Desde abril, porém, defronta-se com mais prejuízos com a descoberta de que as empresas das quais possui ações haviam fraudado seus balanços para mascarar sua situação e agora vêm a público com sérios problemas financeiros. A primeira foi a Enron, que faliu, mas muitas outras entre as principais corporações internacionais se seguiram, como a WorldCom, que decretou a maior concordata da história, acumulando dívidas de US$ 41 bilhões. Nesse cenário pouco animador, o investidor decide vender ações e buscar aplicações mais seguras, especialmente porque tem dúvidas da capacidade ou vontade do governo de combater o problema.A cada dia surgem novas investigações de empresas, e alcançam até o vice-presidente, Dick Cheney, acusado de fraude e ganho com a venda de ações usando informação privilegiada. Essa última suspeita também paira sobre o presidente George W. Bush. De qualquer forma, a Câmara já aprovou um novo pacote endurecendo a legislação que trata do sistema financeiro e espera-se que a aprovação no Senado e na Presidência da República não demore. E há uma determinação de que os presidentes de 945 empresas confirmem até 14 de agosto os balanços passados de suas empresas sob pena de sanção legal pessoal se forem descobertas irregularidades no futuro. Analistas esperam novos escândalos até lá, o que deve manter os negócios tensos.O problema é que as quedas nas bolsas nos Estados Unidos estão arrastando as principais bolsas do mundo, inclusive no Brasil. A fuga de aplicações de risco inclui os mercados emergentes, especialmente o Brasil, que tem seus próprios problemas nesse período eleitoral.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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