Mercados: perspectivas para a semana

Na terça-feira, o dólar atingiu um pico de R$ 3,81, e muitos esperavam uma retração, mesmo que moderada nos dias seguintes. Mas o dólar não pára de subir, chegou a R$ 3,89 hoje e pode continuar em alta, segundo os analistas. A última semana antes das eleições pode ser tensa, o que se reflete nos negócios do mercado financeiro. Os fatores de pressão continuam, vencimentos de cambiais, o mau desempenho do candidato favorito dos mercados e um cenário internacional ruim. Por outro lado, a brutal desvalorização do real está pressionando os preços dos importados, com efeitos sobre a inflação.O maior problema circunstancial é o vencimento de títulos cambiais. Ao longo do ano, o governo foi renovando contratos de papéis cambiais com prazos cada vez mais curtos. Por conta das incertezas envolvendo a sucessão presidencial, os investidores resistiam a aceitar contratos para o próximo governo. Agora, há um grande volume de títulos vencendo neste final de ano. Assim, a pressão sobre os mercados tende a ser crescente se o cenário não melhorar. O maior vencimento de cambiais do ano ocorre dia 17 de outubro, cerca de R$ 3,62 bilhões. Já no dia 23 de outubro, vence mais US$ 1,09 bilhão.A freqüência dos vencimentos também é grande. Como os investidores especulam para manter as cotações altas na rolagem dos papéis, a tensão no mercado é grande. Além disso, as renovações têm sido parciais, e muitas aplicações cambiais resgatadas acabam sendo direcionadas para o dólar, pressionando as cotações.Na terça-feira há novo vencimento de um grande volume de papéis cambiais de cerca de US$ 1,25 bilhão e o Banco Central pretende renovar somente 70% deste total. Hoje foi rolado um porcentual de cerca de 20% apenas. Como é o último dia do mês, a cotação da segunda-feira também servirá para corrigir os contratos futuros de dólar que vencem, o que aumenta as especulações.Além disso, essa será a última semana de campanha do primeiro turno das eleições de 2002. Os mercados, que torcem para o governista José Serra (PSDB/PMDB) não gostam dos resultados das pesquisas eleitorais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) é o que tem, de longe, mais chances de assumir a Presidência da República. Os grandes investidores têm muitas desconfianças sobre as prioridades de um governo petista na área econômica e evitam aplicações de risco, o que explica as altas do dólar e as fortes quedas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).Inflação já preocupaAinda não se pode prever com alguma segurança se Lula vencerá já no primeiro turno, mas o mais provável é que haja um segundo turno entre ele e Serra. Ainda assim, todas as projeções indicam uma vitória do PT. E analistas comentam que há mais espaço nos negócios para cotações ainda mais pessimistas se esse quadro se confirmar. Por isso, espera-se uma semana bastante agitada nos mercados. Há rumores de que a pesquisa Datafolha, que deve sair no domingo, mostraria novo crescimento de Lula e queda de Serra.As altas do dólar pressionam os preços dos importados e, entre eles, muitos produtos essenciais, como farinha de trigo, tarifas de eletricidade e combustíveis - cujos preços internacionais também estão em alta por causa da perspectiva de guerra no Iraque. Com isso, a pressão sobre a inflação é grande. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de setembro ficou em 2,40%. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calcula o índice, acredita que o número de outubro pode ser ainda maior. Se a alta do dólar não for revertida, a inflação pode começar a disparar e o governo pode acabar elevando os juros.A Selic, taxa básica referencial de juro da economia, está atualmente em 18% ao ano, e não tem sido reduzida por causa das turbulências no mercado dos últimos meses. Mas o regime adotado pelo governo é de metas de inflação, e se os preços começarem a subir muito, a Selic pode ser elevada para encarecer o crédito e conter o consumo. Como a economia está muito desaquecida e o mercado já está muito agitado, uma alta nos juros pode ter efeitos indesejáveis sobre a atividade econômica e sobre os preços das ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).Cenário internacional instávelO cenário externo também não ajuda. As principais economias crescem em ritmo muito lento, e analistas temem o início de uma recessão mundial. Além disso, a crise de desconfiança nas bolsas norte-americanas continua, assim como a aversão ao risco, o que inclui os mercados emergentes, em especial o Brasil, que apresenta incertezas adicionais por conta da sucessão presidencial.O governo norte-americano e seus principais aliados seguem com os esforços internos e externos para organizar uma ofensiva militar no Iraque. Os EUA e o Reino Unido trabalham na redação de uma nova resolução a ser aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) declarando um ultimato a Saddam Hussein. O objetivo do documento é estabelecer normas para o trabalho dos inspetores de armas da Organização no Iraque. Ou seja, a perspectiva de guerra ainda é real, o que mantém os investidores apreensivos e os preços internacionais do petróleo altos.Veja no link abaixo um resumo dos principais eventos da semana nos mercados. Não deixe de ver abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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