Mercados: perspectivas para a semana

A semana que entra será marcada por oscilações, em função dos vários elementos de tensão sobre os mercados. Até quarta-feira as instituições financeiras deverão se adequar às novas regras definidas pelo Banco Central (BC). Na quinta, ocorre o maior vencimento de títulos e contratos cambiais do ano. Além disso, começam a surgir já no final de semana as primeiras pesquisas eleitorais e o horário político é retomado.As instituições financeiras terão de se adaptar a regras mais duras para as operações cambiais a partir de segunda-feira. O limite máximo de operação com câmbio das instituições financeiras caiu para 30% do capital, e para cada aplicação cambial, deve haver uma reserva em reais agora de 100% (de 70%). O governo espera provocar vendas de dólares pelos bancos que não estejam dentro dos novos limites, além, é claro, de limitar sua capacidade de atuação - leia-se especulação -, derrubando as cotações.Além disso, aumentou o depósito compulsório para depósitos à vista, a prazo e poupança em cinco pontos porcentuais, ou seja, aumentou a parcela de recursos dos clientes que os bancos devem manter imobilizados, enxugando o volume de recursos na economia. Com menos reais, as instituições têm menos caixa para comprar dólares, mas há também menos recursos para emprestar e a tendência é de alta nos juros e queda da Bolsa.Alguns analistas começam inclusive a falar em alta da Selic - a taxa básica referencial da economia - há meses fixada em 18% ao ano. A tendência da taxa era de queda, mas o repasse dos aumentos do dólar para a inflação pode exigir o encarecimento do crédito, e as novas medidas do BC favorecem a alta nas taxas, o que pode acabar se refletindo na Selic. O inconveniente é que com juros mais altos, a dívida pública, depois de ter explodido com a correção dos títulos cambiais, pode crescer ainda mais. Céticos mencionam que uma alta da Selic é improvável, pois daria combustível à campanha da oposição na reta final da sucessão presidencial.Mas não se pode esquecer que o governo está tendo dificuldades grandes com a rolagem da dívida pública atrelada ao câmbio. Os investidores temem prejuízos com esses papéis no caso mais provável de um governo de oposição a partir do ano que vem. Com isso, os prazos dos vencimentos vão se encurtando, concentrando-se em datas anteriores a 2003. Cada vez mais os novos vencimentos pressionam o câmbio, devido às especulações com a taxa, a intervalos mais freqüentes e com volumes maiores.Para o vencimento do dia 17, o maior do ano, restam US$ 2,9 bilhões. Uma parte será resgatada, e já foram rolados cerca de US$ 700 milhões. Na segunda-feira haverá um leilão com oferta de US$ 1,3 bilhão para 1º de novembro e também para prazos muito mais longos, a partir de 2006. Também há US$ 1,1 bilhão em obrigações no dia 23, além dos cerca de US$ 2 bilhões que as empresas devem remeter ao exterior para cumprir seus compromissos no mês. Com isso, a pressão deve continuar grande no mercado cambial.EleiçõesAs eleições presidenciais voltam a influenciar os negócios com mais força. São apenas duas semanas até a votações, com horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão a partir de segunda-feira, debates e ampla cobertura da mídia. Com isso, o processo deve ser intenso, começando com as primeiras pesquisas de intenção de votos neste final de semana.Os investidores acreditam que Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) tem mais chances de vencer, mas ainda não descarta totalmente uma virada de José Serra (PSDB/PMDB), o favorito dos mercados. Qualquer surpresa certamente afetará os negócios, e pode haver uma onda otimista se a candidatura Serra começar a crescer com vigor.Veja no link abaixo um resumo dos principais eventos da semana nos mercados. Não deixe de ver abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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