Mercados: perspectivas para semana

O mercado internacional deve continuar guiando os negócios no Brasil. A situação da Argentina, o preço do petróleo e o desempenho das Bolsas em Nova York atraem a atenção dos investidores. Na próxima semana, a expectativa é de que essas incertezas continuem e o mercado financeiro vai sentir as conseqüências dessas turbulências.No caso da Argentina, a situação política no país deve melhorar com a renúncia do secretário de Inteligência de Estado da Argentina, Fernando de Santibanhez. O político, que era amigo do presidente Fernando de La Rúa, era acusado de operações ilícitas e o mercado vinha reagindo muito mal às suspeitas. A situação na Argentina influencia de forma direta o Brasil, devido às fortes relações econômicas e comerciais entre os países. O preço do petróleo preocupa pois, além do problema econômico - aumento da demanda no hemisfério norte e refinarias na capacidade máxima de produção -, existe o conflito no Oriente Médio entre Palestina e Israel, o que não dá nenhuma previsibilidade à questão. O Brasil vem sentindo o impacto do problema, principalmente em relação à redução das taxas de juros que vinha sendo promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde o primeiro semestre de 1999.Nas duas últimas reuniões do Comitê, os índices de inflação já apresentavam recuo e havia espaço para novos cortes da taxa básica de juros - Selic. Porém, com a instabilidade em relação ao preço do petróleo, o Copom adotou uma postura de cautela e manteve a taxa básica de juros - Selic - em 16,5% ao ano. Mas os analistas acreditam que, até o final do ano, o Comitê pode reduzir mais um pouco os juros. Marcelo Carvalho, economista-chefe do JP Morgan aposta em uma redução de 0,5 ponto porcentual em dezembro. Marcelo Alain, economista-chefe do Banco Inter American Express, é mais agressivo: "Caso a estabilidade no cenário externo aconteça rapidamente, a Selic pode chegar a 15,5% no final do ano".O mercado acionário nos Estados Unidos também atrai a atenção dos investidores. As grandes empresas já divulgaram seus balanços trimestrais e, como os números ficaram abaixo do esperado, os investidores mudaram suas projeções de ganho com os papéis dessas empresas. Nos próximos dias, o preço das ações devem continuar oscilando. "O investidor está buscando o valor justo para o preço dos papéis", afirma Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management.Como fica o mercado financeiro na próxima semana?Os analistas não traçam projeções para o mercado acionário, cambial e de juros nos próximos dias. Mas o consenso é que o cenário externo, principalmente as notícias negativas, deve continuar guiando os negócios. Exemplo disso foi visto hoje. Mesmo com a melhora da Nasdaq - bolsa dos EUA que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet -, que fechou em alta de 1,87%, a Bovespa refletiu os últimos acontecimentos da Argentina e terminou a sexta-feira em queda de 2,13%.E como ficam seus investimentos?Momentos de turbulência exigem mais cautela por parte dos investidores, seja na hora de aplicar ou de transferir recursos para outro tipo de investimento. Para quem tem um dinheiro disponível agora e não quer correr riscos, o mais indicado é aplicar em fundos DI, ou pós-fixados, que acompanham as taxas de juros. Para quem tem tolerância ao risco, existem papéis de empresas com boas possibilidades de ganhos. De acordo com Carvalho, do JP Morgan, o contexto macroeconômico do Brasil é favorável ao investimento em ações. Porém, a orientação é que apenas uma parte dos recursos seja direcionada ao investimento em renda variável.Veja no link abaixo todos os cuidados e riscos que o investidor deve saber antes de entrar no mercado de ações.

Agencia Estado,

20 de outubro de 2000 | 22h06

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