Mercados: pessimismo com cenário interno

O cenário interno voltou a provocar nervosismo entre os investidores nessa quarta-feira. O principal motivo de preocupação tem sido a pressão de alta sobre os índices de inflação, o que começa a levantar a possibilidade de que a Selic, a taxa básica de juros da economia, volte a subir. A taxa está em 21% ao ano e foi elevada em reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no dia 14 de outubro. A Selic passou de 18% ao ano para 21% ao ano.Também naquela ocasião, as atenções dos investidores estavam voltadas para o impacto da alta do dólar sobre os índices inflacionários. Isso se explica em grande parte porque a política monetária atual é determinada pelo cumprimento da meta de inflação, que neste ano é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. Essa meta já foi rompida. No acumulado do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação, está em 6,98%. Qualquer alteração nos juros agora teria reflexos sobre a inflação de 2003, quando a meta está fixada em 4%, com margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. De qualquer forma, os analistas que apostam em uma alta da taxa Selic não têm uma idéia clara de quanto deveria ser essa elevação para que o dólar recuasse e, com isso, os índices de inflação. O que se vê, no entanto, é que, diante da possibilidade de alta dos juros, cria-se um ambiente ainda mais pessimista nos mercados, favorecendo ainda mais a alta da moeda norte-americana.As reações negativas foram, em parte, amenizadas pelas notícias do cenário internacional. Segundo informações da agência de notícias Associated Press, o Iraque aceitou a nova resolução mais dura da ONU que prevê o retorno dos inspetores de armas ao país depois de quase quatro anos. A declaração foi dada pelo embaixador iraquiano na ONU, Mohrammed Al-Douri. A grande preocupação, nesse caso, é que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vem ameaçando o Iraque com uma guerra caso o país falhe em cumprir com a nova resolução. MercadosO dólar comercial fechou cotado a R$ 3,6300 na ponta de venda dos negócios, em alta de 0,55%. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a máxima de R$ 3,6600 e a mínima de R$ 3,6200. No acumulado do ano, o dólar registra alta de 56,74%. No mercado de juros, as taxas permaneceram estáveis. Os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 23,550% ao ano - mesmo patamar de fechamento registrado na quarta-feira.Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os negócios encerram o dia em alta de 0,44%, em 9.763 pontos. O volume de negócios foi de R$ 433 milhões. As principais altas foram apuradas pelas ações ordinárias (ON, com direito a voto) da AES Elpa (17,25%), Light ON (5,77%) e as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Tele Leste Celular PN (5,26%).As maiores quedas foram de Net PN (-7,5%), Tele Celular Sul ON (-3,94%) e Itaúsa PN (-3,87%). Em Nova York, às 18h05, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em baixa de 0,81%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com queda de 0,22%. O euro era negociado a US$ 1,0066. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, está em baixa de 0,25%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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