Mercados: pessimismo deve segurar Selic

Há semanas que o noticiário se repete. O cenário interno é favorável, mas as quedas nos mercados norte-americanos, o preço do petróleo e as más notícias internacionais comprometem o desempenho dos mercados financeiros brasileiros. Hoje não deve ser diferente, e o mercado aposta na prudência do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a Selic, a taxa básica de juros referencial da economia, nos atuais 16,5% ao ano. O anúncio a respeito da decisão acontecerá no final da tarde, ao final da reunião mensal do Comitê.Ao menos, não se fala em elevação dos juros. Em grande parte, isso se deve ao bom cenário da economia brasileira, com todas as metas mantidas, incluindo inflação baixa e decrescente, contas do governo equilibradas e crescimento econômico. Além disso, ontem foi leiloado com sucesso o Banestado, com ágio de 303%. Esses recursos devem ser empregados no pagamento da dívida do Estado do Paraná com o governo federal, uma boa notícia para as contas públicas. E ainda sinaliza muito positivamente para o leilão do Banespa, marcado para 20 de novembro.Ontem, também, causou bastante preocupação um ataque especulativo contra o peso argentino. As cotações da moeda no mercado de futuros caíram sensivelmente, em parte por causa da greve dos produtores rurais, que bloquearam a estrada do Mercosul, ligando Buenos Aires a São Paulo. O governo também não conseguiu aprovar um De qualquer forma, a situação econômica e política da Argentina continua delicada, preocupando os investidores internacionais e afetando outros mercados latinos, como o Brasil. O momento agora é de atenção para os possíveis desdobramentos. Veja no link abaixo, mais informações sobre a crise argentina.Nos Estados Unidos, a desaceleração da economia tem afetado o faturamento das empresas. A queda nas taxas de crescimento da economia é resultado de política do FED - Federal Reserve, o banco central norte-americano - de aumento dos juros ao longo dos últimos meses, para controlar pressões inflacionárias. Mas, com a baixa cotação do euro - a moeda da maioria dos países da União Européia -, que prejudicou as exportações das empresas dos EUA e com demanda interna fraca, os lucros, de maneira geral, ficaram abaixo do previsto. Assim, as bolsas lá estão caindo sistematicamente, e mesmo as ações de empresas com resultados favoráveis não estão sendo poupadas. Hoje, anunciarão seus balanços Boeing, Ford, JPMorgan, e Microsoft.Em relação ao preço do petróleo, as atenções estão voltadas para os conflitos no Oriente Médio. Se o cessar-fogo decidido ontem se mantiver, as tensões podem se abrandar muito lentamente. Mas um fracasso imediato seria um golpe duro na autoridade das lideranças envolvidas, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, levando ambas as partes a um radicalismo maior. Isso sem contar com a reação de outros países produtores da região, o que pode elevar ainda mais as cotações do petróleo. Ontem, o Iraque conclamou todos os Estados árabes a uma guerra santa contra Israel.Veja os números do fechamento de ontem no link abaixo.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2000 | 08h17

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