Coluna

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Mercados pessimistas sobre situação argentina

Atentos ao desenrolar dos ataques norte-americanos ao Afeganistão, os investidores mantêm suas incertezas em relação aos rumos da economia argentina. O país precisa cortar gastos e voltar a produzir para conseguir chegar à meta de déficit zero. A confiança dos investidores em relação à esta possibilidade é cada vez menor e o governo argentino desdobra-se em tentar criar saídas para a grave situação do país. Para o Brasil, a economia argentina tem forte influência, já que ambos os países são considerados emergentes e têm fortes relações comerciais. O agravamento da situação argentina faz com que o investidor estrangeiro fique mais cauteloso também em relação às condições brasileiras e isso pode provocar uma saída maior de dólares do País.Esta possibilidade é um agravante para a necessidade de investimentos diretos no Brasil em 2002. O País precisa fechar suas contas e, para tanto, terá que contar com US$ 50 bilhões. As exportações brasileiras - uma das fontes de dólares - vem apresentando melhoras, mas os analistas não acreditam que isso será suficiente para suprir a necessidade do País. Vale destacar que toda a economia mundial está em desaquecimento forte, o que dificulta o aumento das exportações brasileiras.Argentina pode divulgar novas medidasEspera-se a divulgação de medidas econômicas para Argentina ainda hoje. Entre elas, a devolução de uma porcentagem do Imposto de Valor Agregado (IVA) para as compras com cartão de crédito. A mesma vantagem poderá ser aplicada também para as compras com cartão eletrônico dos bancos. O objetivo do governo, neste caso, é estimular o consumo.Outra medida esperada é a colocação da arrecadação argentina como garantia para os títulos da dívida do país. Com isso, o governo pretende conseguir negociar com juros mais baixos em seus títulos, dado que, com a queda da confiança dos investidores, o país vizinho vem pagando juros cada vez mais altos para rolar suas dívidas.Mesmo que aprovadas, todas estas medidas não devem mudar a percepção dos investidores sobre os rumos da economia argentina. No máximo, poderá acalmar momentaneamente os investidores. De acordo com reportagem da jornalista Rita Tavares, o mercado financeiro deverá reagir com ceticismo ao novo pacote do governo argentino.Em entrevista à jornalista, o ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio-diretor da MCM Consultores, José Júlio Senna, afirmou que um pacote que não altere o regime monetário e cambial será insuficiente para superar a atual crise. Ele acredita que há apenas uma saída para o país vizinho: a dolarização da economia, com uma desvalorização prévia entre 15% e 30%.Veja os números do mercadoÀs 10h50, o dólar comercial estava cotado a R$ 2,7820 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,40% em relação aos últimos negócios de ontem. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 24,310% ao ano, frente a 24,490% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 0,18%.Em Nova York, as bolsas operam em queda. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em queda de 0,19%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - registra queda de 1,03%. Na Argentina, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires está em queda de 1,58%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2001 | 10h52

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