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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mercados: preocupações levam dólar a R$ 2,25

São muitos os focos de tensão que vêm se agravando, aumentando as preocupações dos investidores. Instabilidade econômica argentina, crise política, desaceleração econômica nos Estados Unidos e agora a perspectiva de racionamento de energia elétrica no Centro-Sul do Brasil, que pode prejudicar a produção e, portanto, o resultado das empresas. À tarde, o mercado começou a demonstrar maior pessimismo nos negócios e as cotações do dólar e dos contratos de juros subiram. A Bolsa de Valores de São Paulo e Buenos Aires agravaram a tendência de queda (veja os números de fechamento abaixo).Foi realizado o leilão de títulos públicos argentinos, que, mesmo ficando dentro do esperado, apresentou negócios a juros bastante elevados - em torno de 12,44% ao ano. Paralelamente, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s rebaixou os ratings (nota que reflete a avaliação do risco) da Argentina e de instituições financeiras do país. Pior, manteve os papéis em avaliação para possível rebaixamento futuro. No mercado, correm rumores de que o Brasil pode vir a sofrer rebaixamento de ratings brevemente. Os mercados reagiram mal e a notícia ainda deve ter efeitos nos negócios amanhã.A percepção de cautela é crescente e, enquanto o governo argentino não divulgar os detalhes completos da operação de renegociação da dívida de curto prazo, os investidores devem continuar céticos. A percepção é de que a situação do país é muito delicada e só um conjunto de medidas responsáveis e factíveis pode promover a retomada do crescimento. Os mercados agora querem resultados e garantias, e até que isso aconteça, o nervosismo continua.Crise política agrava-seNo Brasil, cresce o consenso de que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal será instalada e que será difícil para o presidente da República sair ileso do processo. A renúncia do ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, hoje, aumentou o temor do mercado em relação aos riscos institucionais que o agravamento da crise política pode trazer. De qualquer forma, já se espera, no mínimo, uma paralisação das atividades legislativas nesse último ano de governabilidade normal - 2002 é ano de eleições estaduais e federais e os congressistas e o governo estarão em campanha. A crise, se não for debelada até o início da campanha, pode até aumentar as incertezas quanto à sucessão presidencial, o que já preocupa os investidores.Estados Unidos contribuem para a instabilidadeA divulgação de dados sobre a economia dos Estados Unidos reforçou a percepção de que a desaceleração continua. Os investidores começam a discutir previsões para a próxima reunião bimestral do Fed - Banco Central norte-americano -, marcada para a próxima terça-feira. A expectativa é de que haja novo corte do juro básico, atualmente em 4,5% ao ano. Especula-se sobre uma queda de 0,5 ponto porcentual.Veja os números dos fechamentosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,2450, com alta de 1,35%, logo após atingir a máxima de R$ 2,2500. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,580% ao ano, frente a 21,250% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,86%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 3,39%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,47%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,15%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

08 de maio de 2001 | 17h39

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