Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercados procuram rumo em meio a incertezas

As eleições argentinas transcorreram conforme o esperado nesse final de semana e o temido pacote que traria uma ruptura dramática do atual modelo econômico não veio. Ao contrário, o governo só deve divulgar o as medidas amanhã e os investidores não acreditam que incluirá calote da dívida, desvalorização, dolarização ou demissão do ministro da Fazenda, Domingo Cavallo. Enquanto as reservas internacionais e os depósitos bancários se mantiverem sob controle, acredita-se que o presidente De la Rúa sustentará a paridade do peso com o dólar.Assim, o que se espera é um pacote com novos cortes de gastos em cerca de US$ 3 bilhões e promessas de renegociação da dívida com credores internos e externos. Ainda que haja um certo alívio, reconhece-se que o governo perdeu as eleições legislativas, e em 10 de dezembro, quando os novos congressistas assumirem, a oposição terá maioria no Senado. Quanto aos aliados eleitos, eles prometem trazer muitas dores de cabeça, questionando o modelo econômico e o ministro Cavallo. Assim, os mercados esperam a aprovação de reformas no curto prazo, já que depois as negociações serão mais difíceis.A maior tranqüilidade em relação à Argentina permitiu que os mercados brasileiros tivessem um dia de recuperação ontem. Analistas apontam que pode ter sido apenas uma reação tardia ao otimismo que tomou conta das bolsas internacionais na semana passada. Mas a situação da Argentina ainda é muito frágil no médio prazo, não só pela fragilidade econômica, como também pelo cenário de desaceleração da economia mundial. Além disso, a guerra na Ásia Central está sob controle, mas começam a surgir os primeiros sinais preocupantes. A tensão no mundo islâmico cresce por causa dos bombardeios ao Afeganistão, e foram registrados conflitos entre as potências nucleares da região - Índia e Paquistão - na região de fronteira da Caxemira. O pior desfecho da ação militar norte-americana é um prolongamento dos conflitos e a desestabilização da região, que podem trazer sérios danos aos mercados financeiros.Por enquanto, a cautela ainda predomina, havendo até algum espaço para um otimismo relativo. Mas os mercados estão muito sensíveis ao noticiário e, se a guerra começar a surtir efeitos indesejados, as bolsas internacionais reagirão rapidamente. Para o investidor brasileiro, a atenção é redobrada, incluindo as notícias da Argentina.Copom reúne-se hoje e amanhãHoje e amanhã ocorre a reunião mensal do Conselho de Política Monetária (Copom) para discutir a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. Há pouco espaço de manobra para o governo, já que a desaceleração econômica conteve a inflação, sendo desnecessária uma elevação da taxa. Por outro lado, as incertezas do cenário impedem uma redução. Assim, a maioria dos analistas espera a manutenção da taxa nos atuais 19% ao ano.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2001 | 08h09

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