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Mercados: questão política aumenta instabilidade

O mercado financeiro não amanheceu de bom humor com as notícias políticas internas. Os investidores não gostaram das manobras de líderes governistas para dificultar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar denúncias de corrupção envolvendo autoridades do Executivo e do Legislativo. No início da manhã, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, confirmou à editora Rosana de Cássia, da Agência Estado, que está deixando o Ministério para retornar à Câmara e, como deputado, ajudar o governo na tentativa de impedir a instalação da CPI da Corrupção. Ele afirmou que a demissão ainda não foi formalizada, mas já foi tratada em conversas com o presidente Fernando Henrique Cardoso.Dornelles justificou a iniciativa com o argumento de que a CPI da Corrupção é um movimento político partidário da oposição, "extremamente perigoso para a administração do governo, para reverter o processo de privatização das estatais e para criar dificuldades no processo de retomada do crescimento na geração de empregos".Outra notícia que desagradou os investidores, dentro da estratégia do governo de inviabilizar a instalação da CPI, foi o anúncio feito ontem à noite pelo o presidente do Congresso Nacional, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), de que está cancelada a sessão do Congresso prevista para essa noite. O objetivo é adiar a conferência das assinaturas e a leitura do requerimento para a instalação da CPI. Os partidos de oposição pretendem protocolar o requerimento para a instalação da Comissão hoje, às 15h. Veja a abertura do mercado financeiroOs analistas consideravam que a instalação da CPI seria desfavorável para as perspectivas econômicas brasileiras, já que o Congresso deixaria de votar reformas importantes para o País para se dedicar à apuração das denúncias de corrupção. Porém, de acordo com apuração da editora Lucinda Pinto, essa avaliação está mudando. Agora, eles acreditam que seria melhor permitir que a CPI fosse instalada. Assim, poderia haver uma turbulência por um tempo, mas o clima tenso acabaria antes que fosse iniciada a corrida eleitoral. Nesse cenário, as manobras governistas deixaram os investidores apreensivos. Mesmo porque dão a idéia de que a imagem do governo pode, de fato, ser afetada pela revelação de fatos novos relacionados às investigações. O dólar comercial registra alta desde a abertura dos negócios. Na ponta de venda é cotado a R$ 2,2600 - alta de 0,67% em relação aos últimos negócios de ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 0,98%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 21,950% ao ano, frente a 21,580% ao ano registrados ontem.Argentina contribui para instabilidade As notícias argentinas também são fonte de instabilidade no mercado financeiro nessa manhã. O Tesouro argentino anunciou que metade da meta estabelecida para o déficit fiscal do segundo trimestre desse ano foi usada em apenas um mês. O saldo negativo de US$ 907,1 milhões referente ao mês de abril foi divulgado ontem à noite. De acordo com a reprogramação das metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o déficit para o trimestre não pode ultrapassar US$ 1,817 bilhão. Ontem, o rebaixamento dos ratings (nota que reflete a avaliação do risco) da Argentina e de instituições financeiras do país pela agência internacional Standard & Poor´s aumentou a desconfiança dos investidores em relação à situação argentina. A demora na divulgação das condições de troca dos papéis da dívida de curto prazo por títulos com vencimento mais longo reforça a tendência pessimista em relação ao país vizinho. Há pouco, os principais papéis da dívida da Argentina (FRBs) eram cotados a 83,800 centavos por dólar - queda de 0,20% em relação ao fechamento de ontem. Veja mais informações nos links abaixo. Orientação para investimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

09 de maio de 2001 | 11h05

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