Mercados: questão política volta a preocupar

Os investidores devem continuar atentos ao cenário externo, mas, internamente, a possibilidade de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção no governo começam a influenciar os negócios. Ontem, no final do dia, o mercado acionário já deu sinais de que pode passar por instabilidades em função disso. No início dessa manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em baixa de 1,15%. O dólar comercial está cotado a R$ 2,1160 na ponta de venda dos negócios - queda de 0,38% em relação aos últimos negócios de ontem. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 18,500% ao ano, frente a 18,770% ao ano registrados ontem. A instauração de uma CPI depende de 27 assinaturas de senadores. Ontem, até o final do dia, o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra, já havia contabilizado 25 assinaturas. Nessa quarta-feira, o PMDB - partido da base política do governo - deve redobrar seus esforços no sentido de evitar as adesões que ainda faltam para a aprovação da CPI. Uma CPI pode trazer instabilidade para os negócios no mercado financeiro. Isso porque a concentração dos esforços políticos em trabalhos relacionados à CPI diminui as chances de que os parlamentares aprovem medidas necessárias à reestruturação da economia, como a reforma tributária. No caso dos investidores, principalmente, essas medidas são muito importantes, pois sinalizam que o governo está empenhado em favorecer o crescimento econômico brasileiro em melhores condições de competitividade e lucro. Sem as reformas, as condições econômicas do País ficam mais frágeis para o longo prazo, prejudicando a atratividade do Brasil como pólo de investimentos.ArgentinaNa Argentina continuam as discussões parlamentares a respeito dos poderes especiais que devem ser concedidos ao ministro da Economia, Domingo Cavallo, na implementação de medidas para a retomada do crescimento do país e corte de gastos públicos. Até ontem à noite, os deputados já haviam aprovado poderes que permitem ao ministro realizar reformas do Estado. Com isso, ele poderá transformar órgãos estatais em empresas ou sociedades públicas. Em troca, Cavallo não poderá decidir por demissões de funcionários dessas empresas durante dois anos. Em relação ao prazo dos poderes especiais, os deputados já haviam aprovado o período de um ano. Porém, os senadores podem limitá-lo a seis meses. Com parte dos poderes especiais garantidos, a gestão de Cavallo passa por novo teste hoje nos mercados financeiros. O Ministério da Economia argentino tentará negociar no mercado local US$ 250 milhões em Bônus do Tesouro (Bontes), com vencimento em 2031. Ontem, com papéis de prazo bem mais curto - Letras do Tesouro (Letes) de 91 dias -, a Secretaria de Finanças aceitou pagar uma taxa de 10,96%, o que ficou dentro da expectativa dos analistas, apesar de bem mais alta do que a taxa paga na operação anterior, de 6,86%.Estados UnidosO anúncio de empresas revendo para baixo suas expectativas de lucro pode voltar ao cenário nos próximos dias e comprometer o desempenho das bolsas em Nova York. A desaceleração provocada pela alta de juros desde meados de 1999 diminui o ganho das empresas, o já é percebido em seus resultados. Diante de lucros menores, os investidores refazem suas contas em relação às perspectivas de ganho com as ações e isso faz com que o preço dos papéis seja reduzido agora, o que provoca queda nas bolsas. Exemplo disso foi a empresa Palm que surpreendeu analistas ontem com informações de que terá prejuízo em seu próximo trimestre e não lucro, conforme esperavam os analistas. A companhia anunciou também corte de cerca de 15% de sua força de trabalho. Isso provocou uma queda de 36% ontem no preço das ações em Nova York.

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