Mercados reagem a possível melhora do risco brasileiro

Os títulos da dívida externa registram forte alta nesta quarta-feira com rumores de que uma agência de classificação de risco decida elevar o rating (classificação) do Brasil em um futuro próximo. Segundo fontes do mercado ouvidas pela editora Regina Cardeal, possivelmente seria a Moody´s a elevar a classe de risco do Brasil. Às 15h40 (horário de Brasília), o Global 40, um dos títulos da dívida brasileira, era negociado em 121,000 centavos por dólar, com alta de 0,79%, na corretora López Léon. O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País - recua para 364 pontos base. Isso significa que o Brasil paga um prêmio de 3,64 pontos porcentuais acima dos juros dos títulos norte-americanos, considerados sem risco. Todos os mercados operam positivamente, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra forte alta durante todo o dia. Em 30.829, a Bolsa está em alta de 2,56%. Contudo, no mercado de ações, operadores comentam que, mesmo antes destes rumores, os investidores já estavam otimistas diante do forte fluxo de compra, inclusive de capital estrangeiro, e também diante da alta das ações da Petrobras e de ações de mineração e siderurgia. No câmbio, o dólar comercial ampliou a queda esta tarde, embalado também por esses rumores. Neste mesmo horário, o dólar à vista caía 1,04%, cotado a R$ 2,2760. No patamar mínimo do dia, a moeda norte-americana era vendida a R$ 2,2740. No sentido contrário, a agência de classificação de risco Fitch Ratings avaliou hoje que a emissão de títulos externos denominados em reais realizada nesta semana pelo governo brasileiro "representa um importante passo na direção certa" , mas sinalizou que uma melhora da classificação do país não deverá ocorrer no curto prazo. Levy pede participação dos empresários Hoje, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, Levy confirmou que terá nos próximos dias reuniões, nos Estados Unidos, com representantes de agências de rating. As reuniões serão paralelas ao encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Cauteloso, o secretário não quis comentar os rumores de que o Brasil terá um "up-grade" na avaliação da sua dívida. Mas, bem-humorado, o secretário disse que vai levar na bagagem um gravata verde, a cor da esperança. Ele avaliou que os empresários brasileiros têm um papel fundamental para contribuir na melhoria do rating do País pelas agências de classificação, apurou a repórter Adriana Fernandes. Segundo o secretário, os empresários podem fazer manifestações sobre os avanços da economia brasileira nos últimos anos. "Hoje, fora do Brasil, as pessoas não têm muita noção da diversidade, da robustez, da amplitude da nossa capacidade empresarial", disse o secretário.

Agencia Estado,

21 Setembro 2005 | 15h52

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