Mercados reagem apáticos à isenção da CPMF

O fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), decido em primeiro turno ontem à noite na Câmara, não empolgou os investidores. De fato, os investidores optaram por vender as ações e embolsar o lucro obtido nos últimos dias. Às 14h35, a Bolsa estava em queda de 0,30%, com volume de negócios em R$ 309 milhões. No mês, até ontem, o ganho com ações é expressivo, de 11,72%, o que estimulou esta tendência.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em outubro, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam juros de 18,360% ao ano frente a 18,210% ao ano negociados ontem. No mercado cambial, O dólar comercial é vendido a R$ 2,3610, em alta de 0,13% em relação aos últimos negócios de ontem. Segundo analistas, o fim da cobrança da CPMF deve melhorar a liquidez - facilidade de negociação - na Bovespa, mas não deverá trazer recursos estrangeiros. Eles ponderam que essa isenção veio justamente quando passou a vigorar o aumento para 20% do Imposto de Renda sobre os ganhos em Bolsa. A isenção da CPMF será votada ainda em segundo turno, na quarta-feira que vem, e depois precisa ser submetida à aprovação do Senado.Ontem, o mercado teve outra surpresa positiva. A agência de classificação de risco Moody´s elevou para positiva a perspectiva dos ratings (notas) soberanos do Brasil (veja mais informações no link abaixo). No mercado acionário, os investidores esperam que essa perspectiva positiva anime os investidores estrangeiros a comprar ações na Bovespa. Há a expectativa de que essa melhora da nota saia ainda antes das eleições de outubro.A redução da Selic, a taxa básica de juros da economia, na semana passada, também foi outra notícia positiva para a Bolsa. Mas os investidores não estão certos de que esta tendência deve se manter nos próximos dias. Os últimos índices de inflação divulgados vieram no limite superior das expectativas. Como a política monetária é definida pelo cumprimento da inflação, novos cortes de juros dependem de uma pressão menor sobre os índices inflacionários.O tom dissonante hoje foi o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2001. O crescimento do PIB no ano, de 1,51%, ficou no limite inferior das expectativas, que apontavam para expansão entre 1,50% e 2%. Mercados internacionaisNos Estados Unidos houve uma melhora da perspectiva em relação ao ritmo da economia do país, que vem dando seguidos sinais de recuperação, embora lentamente. Ontem, o presidente do Banco Central norte-americano (Fed), Alan Greenspan, afirmou que a economia vai continuar crescendo devagar. Para os investidores, este foi um sinal de que a taxa de juro, que está em 1,75% ao ano, não deve subir.O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em alta de 0,70%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com alta de 0,19%. Na Argentina, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires está em alta de 1,61%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.