Mercados reagem bem ao discurso de Bernanke

Os mercados reagiram bem ao depoimento do presidente do banco central norte-americano, Ben Bernanke. Nos Estados Unidos, as bolsas operam em alta. O índice Dow Jones, que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York, opera em alta de 1,51%. A Nasdaq, bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet, sobe 1,25%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 2,88%. Às 12h15, está no patamar máximo do dia até este horário, em 36.141 pontos.Em seu depoimento, Bernanke alertou que a inflação nos Estados Unidos é mais alta que o previsto e que os altos preços do petróleo ameaçam manter a "pressão inflacionária". Contudo, não sugeriu que as autoridades estejam muito inclinadas a elevar o juro por conta deste cenário.Ele avalia que a economia norte-americana não dá sinais de que esteja aquecida e que a queda no valor das ações significa menos impulso para o consumo dos americanos. O fato é que grande parte da poupança dos investidores dos EUA está no mercado de ações. Sem o ganho pretendido, os consumidores tendem a reduzir suas compras, o que inibe a alta da inflação.Bernanke acrescentou que "embora o crescimento dos gastos dos assalariados tenha diminuído, outros setores da economia seguem com impulso considerável", citando o investimento e uma economia global que "parece forte". Segundo especialistas, o discurso de Bernanke foi tranqüilo e não demonstrou preocupação.Respondendo a uma pergunta do senador republicano Jim Bunning, um freqüente crítico do Fed, sobre se as medidas da autoridade monetária prejudicaram os mercados de ações, Bernanke disse que há outros fatores afetando as bolsas, incluindo preocupações geopolíticas, as elevações das taxas de juros em outros países, inflação e receio com o crescimento nos EUA.Juros devem parar de subirEle disse que a autoridade monetária deve estar ciente dos riscos de apertar demais, como também do perigo de manter as taxas de juros muito baixas e alimentar assim as pressões inflacionárias. "Há riscos nas duas direções. Claramente não queremos apertar demais", disse ele, afirmando também que o Fed deve considerar o risco de interromper o ciclo de enxugamento monetário muito cedo e ficar com uma inflação persistentemente alta. Bernanke disse ainda que, depois de dois anos e uma elevação de 4,25 pontos porcentuais da taxa básica de juros, ela agora está numa faixa "normal" e começa a surtir efeito sobre a economia. O Fed, segundo ele, vai em algum momento deixar de lado esses aumentos de 0,25 ponto porcentual, que tem implementado desde meados de 2004. Assim, ele reiterou um comentário que já havia feito ante o comitê econômico conjunto em abril.

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