Mercados reagem bem às notícias argentinas

O acordo entre o governo argentino e o Fundo Monetário Internacional (FMI), acertado nesse final de semana, deve diminuir a instabilidade no mercado financeiro nos próximos dias. Segundo apuração da correspondente Marina Guimarães, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, agradou o FMI com suas medidas econômicas que têm por objetivo cortar gastos, aumentar a arrecadação e reativar a economia do país que encontra-se em recessão há 38 meses. Resultado: o FMI aceitou perdoar o não cumprimento da meta fiscal, que ultrapassa em mais de US$ 1 bilhão a meta estabelecida para o primeiro trimestre do ano - de US$ 2,1 bilhões - e ainda vai liberar US$ 1,3 bilhão em maio, do total de recursos acertado no final do ano passado. A Argentina também vai receber como ajuda US$ 900 milhões do Banco Mundial, em junho, e US$ 500 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em julho. Os investidores gostaram da notícia e aguardam agora pelo plano de reestruturação da dívida argentina, que prevê a troca de parte da dívida de curto prazo do país por papéis com vencimento em 20 ou 30 anos. Ontem, em Washington, Cavallo confirmou que a troca de papéis deve atingir o total de US$ 20 bilhões e ainda levará alguns dias para que seja anunciada.A implementação eficiente e rápida das medidas, aliada ao apoio financeiro internacional, pode evitar o temido colapso econômico no país vizinho e influenciar fortemente os negócios no Brasil. Analistas consideram que o resultado claro desse processo poderá ser percebido em um mês. Até lá, os negócios poderão continuar retraídos e os investidores, em clima de cautela. Abertura do mercado financeiroOs investidores reagiram bem às notícias. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 1,81%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 20,750% ao ano, frente a 20,870% ao ano registrados sexta-feira. O dólar comercial está cotado a R$ 2,1880 na ponta de venda dos negócios - queda de 0,68% em relação aos últimos negócios de sexta-feira. Questão políticaEm relação à questão política no Brasil, é unânime a opinião de que enquanto as denúncias não chegarem ao Executivo, ou seja, não evidenciarem relações com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o mercado financeiro vai relevar a questão. Diante das inúmeras contradições entre os senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) e da ex-diretora do Prodasen, será realizada uma acareação dos envolvidos na próxima quinta-feira, às 14h30. Mas, assim como o cenário norte-americano, a questão política também deve ter influência menor no mercado financeiro na próxima semana. Investimentos Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

30 de abril de 2001 | 11h02

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