Mercados reagem mal à alta da Selic

O mercado financeiro começa o dia ajustando-se à nova taxa básica de juros - Selic -, que foi elevada ontem de 15,25% ao ano para 15,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão surpreendeu os analistas e a reação dos mercados vai depender da forma como os investidores interpretarem essa decisão. No início do dia, a reação dá sinais negativos. O dólar abriu em alta e há pouco estava em R$ 2,1360 na ponta de venda dos negócios - alta de 0,66% em relação às últimas operações de ontem. Já os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começam o dia pagando juros de 18,920% ao ano, frente a 18,050% ao ano registrados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em baixa de 1,81%. O impacto da alta do dólar sobre os índices de inflação foi a justificativa do Copom para a sua decisão. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), usado como parâmetro em relação à meta de inflação, acumula uma alta de 1,03% nos dois primeiros meses do ano. Para 2001, a meta de inflação é de 4%, com possibilidade de oscilação, para cima ou para baixo, de dois pontos porcentuais.Um taxa de câmbio elevada pode comprometer o cumprimento da meta, já que provoca uma alta no preço das matérias-primas e produtos importados. Elevando a taxa de juros, o Banco Central (BC) tenta conter a alta do dólar, pois estimula uma entrada maior de recursos estrangeiros no mercado brasileiro. Além disso, investidores que têm moeda norte-americana em carteira de investimentos tendem a se desfazer do ativo em troca de juros mais altos oferecidos por aplicações de renda fixa. Isso também favorece uma maior circulação de dólares no mercado, deixando as cotações menos pressionadas.Porém, esse cenário vai depender da forma como os investidores receberam a medida do BC e do cenário internacional. As instabilidades externas preocupam investidores que buscam dólares como uma forma de hedge, ou seja, proteção. Para o Brasil, a situação da Argentina tem forte impacto sobre a percepção que os investidores estrangeiros têm em relação à economia brasileira, pois, assim como o Brasil, é um país emergente e localizado na América Latina. Além disso, os dois países têm fortes relações comerciais.A entrada do ministro da Economia, Domingo Cavallo, diminuiu em parte as apreensões dos investidores em relação à Argentina, já que Cavallo é o idealizador da política de paridade cambial. Ontem, Cavallo já divulgou medidas de estímulo à retomada do crescimento econômico e corte de gastos. Porém, a eficiência desse pacote está totalmente vinculada ao apoio político que terá e, nesse campo, não há nenhuma certeza. Veja no link abaixo mais informações sobre a decisão do Copom.Estados UnidosTambém o ritmo da desaceleração da economia norte-americana é fonte de dúvidas e instabilidades no cenário internacional. Na terça-feira, o banco central dos Estados Unidos (Fed) cortou os juros em 0,5 ponto porcentual, reduzindo a taxa de 5,5% para 5% ao ano. As Bolsas em Nova York reagiram de forma negativa e hoje a instabilidade começou cedo no mercado acionário europeu, com a bolsa de Londres em queda de 2,3% há pouco. No início do dia, foi divulgado nos EUA o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana da 17 de março. O resultado mostrou uma queda de 1 mil, quando o esperado era de uma variação nula em relação à semana anterior. O resultado sinaliza um desaquecimento da economia acima do esperado por analistas.

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