Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercados reagem mal à crise política

Ontem, a notícia do apoio dos Senadores Osmar e Álvaro Dias (PSDB-PR) à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal foi mal recebida pelos mercados. Até o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG), já considera a CPI fato consumado.O presidente Fernando Henrique Cardoso tenta amenizar a situação e convocou os líderes do PMDB e do PSDB no Senado, respectivamente, Renan Calheiros (AL) e Sérgio Machado (CE), a encabeçarem uma ação em favor da retomada dos trabalhos no Congresso. O maior temor, compartilhado pelos investidores, é que, em função da crise instalada com o escândalo do painel eletrônico e, agora, com a iminência de instalação da CPI da Corrupção, os trabalhos no Congresso sejam paralisados. Este é o último ano do mandato do presidente com chances de governabilidade normal, já que em 2002 ocorre a sucessão federal e estadual. Mas será difícil evitar tanto a parada nas atividades legislativas como o nervosismo quanto à evolução dos fatos durante o processo de investigação, que pode se estender por meses.Situação argentina também continua indefinidaAs notícias da Argentina surgem aos poucos, e até agora os investidores não estão seguros de que a crise atual possa ser superada. No sábado, o governo anunciou o nome dos sete bancos envolvidos na renegociação da dívida de curto prazo da Argentina. Foi mais uma confirmação importante, dado que o mercado já conhecia esse fato, e a operação de reestruturação agora parece ter risco menor de fracassar. Por outro lado, os detalhes ainda não são conhecidos, em especial com os valores e a taxa do acordo.O sentimento do mercado ainda é de cautela. Ainda é cedo para afirmar que as medidas traçadas pelo governo tenham grande chance de sucesso, mesmo que o colapso econômico iminente tenha sido afastado. A dúvida é se a economia está pronta para retomar o crescimento ou se a crise só foi adiada. Hoje haverá um teste importante da avaliação dos mercados, no Brasil e na Argentina: os governos dos dois países decidiram retomar os leilões de títulos. No Brasil, será o primeiro desde março. Mercados tentam antecipar decisão do FedOs Estados Unidos, cuja influência tem sido pequena ultimamente para o investidor brasileiro, podem voltar a afetar os mercados. No dia 15, o Fed - Banco Central norte-americano - reúne-se para discutir a taxa de juro básico do país. Dada a prolongada desaceleração da economia, espera-se nova redução, de até 0,5 ponto porcentual. Os seguidos cortes nos juros, que surtem efeito sobre a economia real no longo prazo, estão promovendo uma recuperação nas cotações em Nova York. Mas enquanto a crise política e as dificuldades argentinas não forem solucionadas, um menor pessimismo nos EUA não deve afetar muito os negócios no Brasil.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

08 de maio de 2001 | 08h09

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