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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados reagem mal ao anúncio do ABN Amro

Os mercados terminam a semana apreensivos diante das avaliações de bancos estrangeiros em relação às perspectivas para os negócios com papéis da dívida brasileira. Duas instituições norte-americanas - Merrill Lynch e Morgan Stanley - e uma holandesa - ABN Amro - recomendaram a seus investidores reduzir a participação de títulos do Brasil em carteira. O risco político com a proximidade das eleições presidenciais, em que o pré-candidato do PT Luís Inácio Lula da Silva aparece como favorito nas pesquisas, é o motivo dado por estes bancos para a decisão. Os anúncios das instituições foram feitos nesta semana, mas o fato é que desde meados de abril os títulos da dívida brasileira iniciaram um movimento de queda. Para se ter uma idéia, no dia 12 de abril, os C-Bonds - principais títulos da dívida brasileira - eram cotados a 82,625 centavos por dólar. Ontem encerraram o dia cotados a 77,000 centavos por dólar. No período, a baixa é de 6,80%. Além do risco político, este movimento foi desencadeado pela alta do preço do petróleo no mercado internacional. Isso porque, com as incertezas em relação aos conflitos no Oriente Médio que pressionavam para cima as cotações do barril do óleo, os investidores estrangeiros já vinham reduzindo a participação dos títulos brasileiros em carteira. Em períodos de indefinição, há uma redução dos recursos destinados às aplicações mais arriscadas, como os papéis de países emergentes. Entre tais títulos, o C-Bonds é um dos mais líquidos - com maior facilidade de negociação -, portanto, é um dos mais prejudicados pelo momento de incertezas.Mercados internos também reagemO pessimismo verificado entre os investidores nos últimos dias influenciou também os mercados internos. Nesta semana, até ontem, o dólar acumula uma alta de 1,01%. Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou a maior queda do ano. Nesta semana, a baixa acumulada é de 4,10% até ontem, lembrando que houve feriado na quarta-feira. Ou seja, estes resultados referem-se a três dias de negócios (veja os números de fechamento dos mercados no link abaixo).No mercado de juros, os investidores também estão pessimistas em relação à expectativa de corte da Selic, a taxa básica de juros da economia. É praticamente consenso entre os analistas que a Selic deve permanecer em 18,5% ao ano até o final do primeiro semestre. A partir daí, segundo eles, ainda não há nenhuma certeza para o movimento dos juros.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 08h02

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