Mercados reagirão à manutenção da Selic

Ontem o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic, a taxa básica referencial da economia, em 15,25% ao ano. A decisão não chegou a surpreender os analistas, que dividiam-se entre a manutenção ou uma queda de 0,25 ponto porcentual. Para muitos investidores que apostaram numa queda, mesmo que pequena, a decisão do Copom trouxe perdas. As taxas de juros futuras podem ser revistas e é possível que subam ligeiramente. A ata da reunião, que detalha as razões para a tomada da decisão, será divulgada na próxima quinta-feira. Leia mais sobre a opinião de analistas e orientação para os investidores nos links abaixo.Também foi concluído ontem o penoso processo de eleição para as Presidências da Câmara e do Senado, que paralisou os trabalhos do Congresso na convocação extraordinária e suscitou algumas preocupações no mercado. A árdua batalha dentro da própria base governista trouxe alguns episódios, como a promessa de uma CPI para investigar a privatização do setor elétrico, que os investidores preferem esquecer rapidamente. Resta agora acompanhar as negociações para a recomposição da frente de sustentação do governo. Espera-se que o processo seja rápido e pouco traumático.Mas ainda há espaço para um certo otimismo na reação dos mercados. Os dados relativos ao PIB do ano passado foram divulgados, com crescimento acumulado em 2000 de 4,2%. Espera-se 4,5% em 2001 com inflação de 4%. Os dados sobre o bom desempenho econômico, sustentados pelo financiamento do déficit nas contas externas por meio de investimentos diretos estrangeiros e disciplina do governo nas contas públicas. A boa conjuntura deve continuar justificando alta na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), queda nos juros e estabilidade no câmbio.Além disso, a terça-feira trouxe boas notícias. O sucesso do leilão de licitação da banda D de telefonia celular, com ágio total de 20,6% e arrecadando R$ 2,642 bilhões em licenças, animou os mercados e seu efeito ainda pode ser sentido hoje. O mesmo vale para o discurso do presidente do FED - banco central dos EUA -, Alan Greenspan, na Comissão de Bancos do Senado norte-americano, sinalizando para o fim da desaceleração econômica nos Estados Unidos no segundo semestre. A fala foi bem recebida pelos mercados, com altas nas bolsas em Nova York.

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