Mercados reavaliam tendência para taxa de juros

Atentos ao cenário na Argentina, os investidores no Brasil buscam um patamar de equilíbrio para os ativos no mercado financeiro. Este patamar, segundo os analistas, deve levar em conta as boas perspectivas para as contas externas do País no próximo ano, as incertezas com o ritmo econômico mundial e brasileiro, a proximidade das eleições presidenciais no Brasil e os rumos da crise argentina. Grande parte destes fatores já está embutida no preço dos ativos, mas, a cada fato novo, os investidores realinham suas expectativas. Exemplo disso é que, nos últimos dias, após os sinais de autoridades monetárias sobre a preocupação do Banco Central (BC) com as metas de inflação, as taxas de juros no mercado interbancário voltaram a subir. A inflação pode ser pressionada para cima por um aumento de demanda que, por sua vez, é estimulada por taxa de juros mais baixa. Ao decidir pela manutenção dos juros em patamares elevados, o BC pretende conter esta possível alta da inflação.Vale destacar que, neste ano, a meta de inflação - de 4% com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais - já foi superada. Até o final de outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como parâmetro para a meta de inflação, apresenta alta de 6,22%. Este resultado acima da meta, porém, não foi provocado apenas por uma pressão da demanda, mas muito mais pela alta do dólar, que é repassada para os preços e influencia os índices inflacionários. No ano, até ontem, a alta do dólar é de 26,70%.Em 2002, a perspectiva de que o Brasil manterá o equilíbrio em suas contas externas deve reduzir a pressão de alta sobre as cotações do dólar. Por este lado, a inflação não ficaria pressionada. Já a intenção do BC em deixar as taxas de juros elevadas tenta impedir a alta dos índices de inflação pela ponta da demanda. Também é importante ressaltar que, no próximo ano, as tarifas de energia devem ser reajustadas em torno de 20%, o que terá impacto sobre a inflação.Investimentos: fundos DI e renda fixaO cenário para os índices inflacionários é importante para o investidor, pois será determinante para a tendência de juros. Se os índices ficarem pressionados, o BC pode até mesmo voltar a subir a Selic, a taxa de juros da economia, que está em 19% ao ano (veja mais informações no link abaixo). Este cenário favorece quem está com recursos aplicados em fundos referenciados DI - que acompanham as taxas de juros.Dado o grau de incertezas que podem influenciar este cenário, a recomendação é que os investidores que têm uma data definida para resgate da aplicação optem pelos fundos referenciados DI, onde o risco de perdas é extremamente baixo. É fato que as taxas de juros devem voltar a cair, favorecendo quem está com o dinheiro investido nos fundos de renda fixa prefixados, porém não se sabe quando isso acontecerá. Vale lembrar que o ganho dos fundos prefixados vai depender da composição da carteira - quanto mais longos os papéis, maiores as chances de rentabilidade e o risco assumido também é maior.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

28 de novembro de 2001 | 07h47

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