Mercados reduzem otimismo e buscam tendência

A recuperação dos mercados começa a perder fôlego e os investidores aguardam novos fatos para definir uma tendência para os próximos dias. Neste cenário, a situação argentina terá grande influência e pode determinar a manutenção de uma tendência positiva, caso o país vizinho consiga fechar um acordo com todas as províncias e, com isso, tentar chegar ao déficit zero. Dos 24 governadores das províncias do país, nove - todos do partido Justicialista (oposição) - ainda não assinaram o acordo com o presidente Fernando De la Rúa concordando com o corte no valor do repasse de recursos. Esta redução é fundamental para que o país consiga chegar ao déficit zero. O ministro da Economia argentino Domingo Cavallo reúne-se ainda hoje, às 19h (horário de Brasília), com os ministros de Economia provinciais para tentar convencê-los a assinar o pacto fiscal. Considerada uma das mais endividadas, Buenos Aires está entre as províncias que ainda não assinaram o acordo. A demora na finalização deste acordo entre a União e todas as províncias vem trazendo instabilidade para os mercados. Hoje a taxa de risco do país vizinho bateu um novo recorde, de 2.690 pontos-base e, apesar do distanciamento verificado nos últimos dias entre as tendências para o Brasil e a Argentina em função da melhora dos fundamentos da economia interna (veja mais informações no link abaixo), hoje a taxa de risco do Brasil também subiu e chegou a 1.041 pontos-base. Já o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 1,51%.Mas, mesmo que o acordo seja finalizado, permanece o problema da política cambial no país vizinho que estabelece a paridade entre o peso e o dólar. Esta paridade não é compatível com a produtividade argentina, ou seja, não tem custos suficientemente baixos para tornar a produção competitiva ao nível de câmbio atual. Estados UnidosA economia dos Estados Unidos é outro fator de influência para a tendência dos mercados. Hoje foi divulgado o resultado das vendas no varejo em outubro, que registraram crescimento de 7,1%, superando as estimativas de um resultado de 2,5%. O número provocou uma reação moderada dos investidores. Às 18h30, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - estava em alta de 0,73%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - operava em alta de 0,57%.A preocupação dos investidores é com o ritmo da atividade econômica norte-americana, já que o país importa grande parte da produção mundial e destina recursos para vários mercados financeiros. A economia do país já vinha em desaquecimento antes dos atentados terroristas, em 11 de setembro, e foi fortemente abalada a partir daí, o que foi percebido pela queda do índice de confiança do consumidor norte-americano.O Banco Central dos Estados Unidos (Fed) vem promovendo uma política agressiva de corte de juros, mas o impacto disso não é instantâneo e espera-se uma recuperação no primeiro semestre de 2002. Na sexta-feira, será divulgado o índice de inflação do consumidor (CPI), que também sinalizará o ritmo da economia do país e sua tendência.Fechamento dos mercados no BrasilNo Brasil, o dólar comercial para venda fechou em R$ 2,5450, com alta de 0,91%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,800% ao ano, frente a 20,720% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,72%.O mercado de ações foi influenciado pela queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional. Isso porque o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa - é composto em grande parte pelas ações da Petrobras, cuja receita é baseada nas cotações internacionais do petróleo. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da companhia fecharam em queda de 4,63% e as preferenciais (PN, sem direito a voto), em baixa de 4,28%.No final desta tarde, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em cortar a produção em 1,5 milhão de barris/dia. Os membros da Opep querem que os outros produtores (não-membros) reduzam sua produção em 500 mil barris/dia. O corte de produção da Opep passará a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2002.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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