Mercados reforçam cautela antes da reunião do Fed

As bolsas de Wall Street sofreram nesta terça-feira uma forte queda - que no Dow Jones Industriais chegou a 120 pontos - perante o temor de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decida nesta semana uma nova alta dos juros nos EUA."O mercado está andando para lá e para cá, na expectativa da reunião do Fed. Os dados divulgados nesta terça-feira sugerem que o Fed poderá elevar as taxas de juro mais do que os investidores pensavam", comentou o estrategista Alan Gayle, da Trusco Capital Management. BolsasO mercado norte-americano de ações fechou em queda, devolvendo os ganhos de segunda-feira. Nem a publicação de vários indicadores com números melhores que o esperado, como a confiança do consumidor ou a venda de casas, nem as operações empresariais anunciadas nesta terça-feira, conseguiram dar o otimismo necessário para os mercados nova-iorquinos.No fechamento, e segundo dados divulgados ao final do pregão, o Dow Jones Industriais, indicador mais importante de Wall Street, caiu 120,54 pontos, ou 1,09%, para 10.924,74, o que significa a maior queda das últimas três semanas. Já o índice tecnológico Nasdaq caiu 33,42 pontos, ou 1,57%, para 2.100,25, e teve a maior baixa das últimas duas semanas.Com relação ao resto de indicadores, o seletivo S&P 500retrocedeu 11,36 pontos, ou 0,91%, para 1.239,20 pontos, enquanto o tradicional NYSE caiu 80,31 pontos, ou 1,01%, para 7.886,48. Apesar da profusão de notícias empresariais, os investidores se deixaram levar pelo pessimismo diante da reunião de amanhã e quinta-feira do Fed, no qual pode ser decidido uma nova alta dos juros nos EUA, para 5,25%.CâmbioO dólar pronto fechou nas máximas do dia, cotado a R$ 2,237, alta de 0,52% na roda da BM&F e a R$ 2,238, alta de 0,31% no balcão. As cotações foram pressionadas à tarde pela queda mais acentuada das Bolsas em Nova York, que provocou a reversão da alta inicial da Bolsa paulista. O aumento do risco Brasil e dos países emergentes também contribuiu. Os investidores ajustaram posições compradas em câmbio e reduziram em ações à expectativa de, pelo menos, mais dois aumentos do juro dos Fed Funds: um nesta quinta-feira e outro na reunião de 8 de agosto. A dúvida é sobre o tamanho do aperto monetário, se será de 25 pontos ou 50 pontos em cada encontro. O mercado espera que o comunicado pós-reunião do Fed ajude a dissipar essa incerteza.O compasso de espera dos investidores pelo comunicado do Fed se refletiu na queda da liquidez. Além disso, o fluxo cambial foi positivo, mas pequeno. Também não foi identificado um ingresso financeiro que era esperado pelo mercado. Por tudo isso, o giro financeiro total diminuiu 27% para cerca de US$ 1,154 bilhão, sendo cerca de US$ 1,059 bilhão em D+2.JurosO mercado de juros desacelerou com intensidade o ritmo de negócios após o jogo da Seleção Brasileira, no início desta tarde. Para se ter uma idéia, o contrato mais líquido, com vencimento janeiro/08, somou 116 mil contratos, menos da metade do que seria o giro em um dia normal. No final do pregão, no entanto, as taxas acabaram registrando alta, pressionadas pela expectativa pelo leilão de amanhã de NTN-B - que terá as duas etapas excepcionalmente realizadas no mesmo dia - e também por algum movimento de hedge por parte dos players que aguardam a reunião do Fomc.Logo que os negócios foram retomados, às 14h30, os juros futuros mantiveram-se muito próximos ao fechamento de ontem. Embora as bolsas nos EUA estivessem em queda expressiva - o que reverteu a alta da Bovespa no período da manhã -, o mercado de DIs manteve-se tranqüilo. Mas, conforme previram operadores, acabou sofrendo pressão no final do dia, já por causa da expectativa pelo leilão de NTN-Bs (papéis atrelados ao IPCA), que ocorre amanhã.Também houve algum fluxo de saída de players estrangeiros que estavam vendidos em juros, já por conta da espera pela reunião do Fomc, que começa amanhã. Embora a aposta de que o juro nos EUA subirá mais 0,25 ponto percentual já esteja no preço, há ansiedade em relação a um eventual sinal por parte dos integrantes do comitê a respeito dos próximos passos na política monetária. E essa apreensão continuará justificando volatilidade nos mercados.

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