Mercados reprovam acordo para salvar o euro e bolsas voltam a cair na Europa

O acordo que salvaria o euro foi reprovado pelos mercados, questionado por partidos de oposição e até ameaça derrubar mais um governo - no caso o do premiê britânico, David Cameron, que se recusou a fazer parte do acordo. Ontem, as bolsas caíram, governos pagaram taxas altas para emitir títulos e agências de rating voltaram a ameaçar de rebaixamento a classificação de risco da União Europeia.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h06

Para investidores, o acordo não dá uma resposta suficiente à crise nem na velocidade que se necessitaria. A tensão nos mercados voltou a obrigar o Banco Central Europeu (BCE) a agir.

Na sexta-feira, 26 dos 27 países europeus chegaram a um acordo de disciplina fiscal na UE. Mas a falta de detalhamento no plano, o fato de que será concretizado apenas em março e o racha na UE não convenceram o mercado.

Ontem, líderes europeus saíram em defesa do acordo para tentar dar garantias aos mercados. Ao jornal Le Monde, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, insistiu que uma nova história da UE estava começando e um primeiro rascunho do acordo final já estaria pronto nas próximas semanas. "Estamos vendo o nascimento de uma Europa diferente", disse. Olli Rehn, comissário de Economia da UE, também assegurou que o acordo era a solução de que o euro precisava.

Mas de nada adiantou. Coube às agências Moody's, Standard & Poor's e Fitch resumir o sentimento dos mercados. Ontem os pregões foram abertos com a Moody's alertando que poderia rebaixar a nota da UE e a crise continuava no estágio "crítico".

Para a agência, a cúpula fracassou em "garantir uma ação decisiva" e de nada serviu para reduzir a distância entre as economias fragilizadas e as mais saudáveis. Na avaliação da Moody's, quanto mais tempo a UE levar para solucionar a crise, maior a probabilidade de que economias decretem moratória. O próximo momento de tensão ocorre em janeiro, quando a Itália terá de emitir bônus para arrecadar 340 bilhões e honrar dívidas.

As bolsas acabaram em forte queda e o euro voltou a perder terreno. Madri caiu 3,1%, com bancos liderando os prejuízos. Frankfurt recuou 3,3%; Paris, 2,6%; e Londres, 1,8%. Nos EUA, o Dow Jones caiu 1,34% e o S&P 500 recuou 1,49%. No Brasil, a bolsa caiu 1,53% e o dólar subiu 2,1%, cotado a R$ 1,844

O risco país de Itália e Espanha voltou a ultrapassar marcas consideradas perigosas e o BCE teve de intervir. A S&P também alertou que "o tempo está se esgotando" para uma solução e disse que um acordo real na UE poderá ainda exigir "um novo choque", antes que o bloco tenha a coragem de adotar medidas mais convincentes.

Na semana passada, a S&P apontou para um eventual rebaixamento da nota do continente, decisão que pode ocorrer nos próximos dias e dificultar o acesso a financiamentos.

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