Mercados: resumo da semana

A semana foi marcada pela divulgação de índices de inflação decepcionantes. Sabia-se que a inflação de julho e agosto teria um repique por conta dos aumentos nos combustíveis, e que, no final, ela acabou excedendo as previsões. Isso se deveu à pressão nos preços internacionais por intervenção da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Além disso, o inverno mais rigoroso que o normal trouxe geadas ao sul e ao sudeste, provocando elevações nos preços dos alimentos. Passados esses eventos localizados, esperava-se que a inflação retrocedesse rapidamente. Porém, essa expectativa não se confirmou. A prévia do IPC-Fipe - Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas - divulgado na segunda-feira ficou em 1,87%. A prévia do IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Ampliado - índice oficial de inflação do governo brasileiro também surpreendeu em 1,99% na terça-feira. Essas duas prévias provocaram correções em todos os mercados. O governo, porém, foi enfático em reafirmar as metas para o ano, insistindo no bom cenário da economia para os próximos dois anos. Na quarta-feira, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) tranqüilizou os investidores, ficando dentro do previsto (2,39%).STF encerrou julgamento sobre a correção do FGTS com derrota parcial para o governoAlém disso, na segunda-feira, os dados sobre a balança comercial (déficit de US$78 milhões) e, na terça-feira, o saldo das contas do governo (R$1,8 bilhões) também ficaram bem abaixo do previsto, aumentando o mal-estar. Para piorar, na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal encerrou o julgamento - que estava suspenso -, sobre a correção das contas de FGTS pelos expurgos inflacionários realizados na implantação dos planos Verão e Collor I. A decisão foi parcialmente desfavorável ao governo e, se todos aqueles que detinham contas de FGTS na época receberem a diferença, o governo terá uma despesa de até R$ 38,8 bilhões. Mas isso não abalou muito os mercados, que esperam para ver de que manobras legais o governo poderá lançar mão para evitar o pagamento.Boas notíciasAs boas notícias da quarta-feira foram a decisão da Petrobras de negociar parte das suas ações preferenciais - PN, sem direito a voto - na bolsa de Nova York através do lançamento de recibos de ações no mercado norte-americano - ADRs, American Depositary Receipts. Com isso, a bolsa reagiu e voltou a registrar altas. Também na quarta-feira, a Arábia Saudita anunciou que negociará, na reunião da Opep do dia 10 de setembro, em Viena, um aumento na produção de petróleo de 700 mil barris por dia para promover uma redução nos preços do produto. Outros países-membros anunciaram que pedirão um aumento ainda maior, em torno de 1 milhão de barris/dia.A nova composição de cálculo do Ibovespa - Índice da Bolsa de Valores de São Paulo - estreou hoje, dando novo impulso à Bolsa, com fundos passivos - aqueles que mantêm suas carteiras com composição de acordo com a do Ibovespa - comprando papéis de empresas que aumentaram sua ponderação e se desfazendo das que perderam participação.Balanço dos mercadosDe qualquer forma a Bovespa tem oscilado pouco, mantendo-se praticamente estável desde 21 de agosto, considerando-se as máximas e mínimas dos pregões, e não só as cotações de fechamento. O dólar, porém, desde o dia 29 de agosto inverteu a tendência de alta, e começou a cair. Os juros, que sofreram uma correção em função da reversão das expectativas de queda por conta da alta nos índices de inflação subiram pouco nas duas últimas semanas. O marco foi a runião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic, a taxa básica referencial da economia em 16,5%. A previsão é que a Selic fechem o ano em torno de 16% ao ano. Nos Estados Unidos, os dados sobre a economia indicam um desaquecimento, tranqüilizando investidores em relação a uma alta dos juros, e desde o início de agosto, o Dow Jones e a Nasdaq têm tido altas significativas.Comentário da semanaDia-a-dia:Segunda-Feira (21/08)A divulgação da prévia do IPC da terceira quadrissemana de agosto de 1,81% pressionou os juros e derrubou a bolsa. Os dados da balança comercial elevaram novamente a cotação do dólar. O consenso sobre o bom cenário da economia, porém, continua. Também decepcionaram os dados a respeito do saldo das contas do governo em julho, bem abaixo dos resultados anteriores.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,03%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8310, com alta de 0,38%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,200 % ao ano, frente a 17,063 ao ano na sexta-feira.Bolsas norte-americanas - A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,69% e o Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Iorque - fechou em alta de 0,54%.Terça-Feira (15/08)A divulgação da prévia do IPCA-15 assustou os investidores pela manhã, que reagiram negativamente. Mas, entrevista do diretor de política monetária do BC tranqüilizou os ânimos, e o saldo do dia foi positivo, com alta na Bovespa e queda nos juros e no dólar. O destaque da Bovespa foi o anúncio do lançamento de ADRs para as ações PN da Petrobras.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,61%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8280, com queda de 0,16%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,020 % ao ano, frente a 17,200% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,28% e o Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Iorque - fechou em queda de 0,34 %.Quarta-Feira (16/08)A tensão gerada pelos altos índices de inflação divulgados essa semana dissipou-se, e os mercados tiveram dia tranqüilo. O anúncio do IGP-M, abaixo das expectativas, após o pregão, deve acalmar um pouco mais os investidores. Os destaques na Bovespa foram Banespa ON, com a cassação da liminar que impedia sua privatização e Petrobrás PN, que passará a ser negociada em Nova York por meio de ADRs. Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,35%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8240, com queda de 0,22%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 16,990 % ao ano, frente a 17,020% ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - O Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,00%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,53%.Quinta-feira (17/08)Os mercados fecharam com cotações semelhantes às de quarta-feira. O destaque foi a divulgação da ata da última reunião do Copom, alertando para a elevação da inflação e para os preços do petróleo nos mercados internacionais. Com isso, houve elevação nas taxas de juros. Algumas ações também oscilaram bastante em função do novo Ibovespa. O governo teve sucesso no leilão de oferta firme e na troca de títulos cambiais. Saiu o resultado do julgamento do FGTS, parcialmente desfavorável ao governo. E a Arábia Saudita divulgou que pretende negociar, na reunião da Opep do dia 10 de setembro, um aumento na produção de petróleo para baixar os preços.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 0,39%.Câmbio- O dólar fechou estável em R$ 1,8240. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,040 % ao ano, frente a 16,990%ao ano no dia anterior.Bolsas norte-americanas - A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 2,50% e o Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Iorque - fechou em alta de 1,01%.Sexta-feira (18/08)Apesar da alta da Bovespa, os mercados operaram tranqüilos, sem grandes variações nas cotações do dólar ou dos juros. Prevaleceu o cenário positivo da economia, reforçado pelos bons dados sobre o desaquecimento da economia dos EUA. Houve movimentações em função da divulgação da nova composição do Ibovespa e o mercado parece ignorar a decisão judicial desfavorável ao governo em relação ao julgamento da correção do FGTS pelos expurgos dos planos Verão e Color I.Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 1,33%.Câmbio- O dólar fechou em R$ 1,8250, com alta de 0,05%. Juros - Os contratos de juros de DI a termo pagavam juros de 17,020 % ao ano, frente a 17,040 no dia anterior.Bolsas norte-americanas - A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática - fechou em alta de 0,67% e o Dow Jones - índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Iorque - fechou em alta de 0,21%. segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)-1,33%+0,83%+0,35 %,-0,39%+1,33%Dólar (fechamento)R$ 1,8220R$ 1,8170R$ 1,8240R$ 1,8240R$ 1,8250Juros (DI a termo ao ano)17,180%16,890%16,690%17,040%17,020%Nasdaq (variação)+0,58%+0,13%.+0,53 %.+2,50%.+0,67%.Dow Jones (variação)+0,30%+0,54%,-1,00%.+1,01%.+0,21%.

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